Antes da reprodução da matéria do jornal O Estado de S. Paulo (logo abaixo), digo que, infelizmente, depois de anos de ditadura e cerceamento dos meios de comunicação e da liberdade de imprensa e individual, governos da América Latina tentam, de alguma forma, estabelecer censura para poder controlar a opinião pública. Aqui mesmo, no Brasil, o governo Lula tentou, por diversas vezes, instaurar o fatídico Conselho Federal de Jornalismo, que, graças a D´us, não vingou. Mas, vira e mexe, tenta-se, de alguma forma, cercear a liberdade de informação. De repente, eis que vemos jornalistas de oposição perderem emprego, serem afastados, ficarem “na geladeira”. Muito estranho…
Se este tal Conselho Federal de Jornalismo tivesse passado, escândalos como os de mensalão, dos dólares na cueca e outros inúmeros, que nos enojam – tanto pelo ato em si como por ninguém ser culpado e pagar a conta, a não ser a população – certamente não viriam à tona.
Agora vemos, na Argentina, a mesma coisa. E os Kitcher cada vez mais próximos do ditador venezuelano Hugo Chávez. Sim, embora não seja oficialmente, Chávez é realmente um ditador e um demagogo da mais baixa qualidade.
Foi ridículo – para não dizer até leviano, apesar de abusivo e ditatorial - este casal Kirchner, que “controla a Argentina”, mandar um mutirão de fiscais, juntos, ao jornal Clarín numa clara demonstração de intimidação. E depois, na maior cara de pau, dizer que não tem nada a ver com isso. Além de abuso de poder e cerceamento de liberdade, Cristina e seu marido Néstor são mentirosos da pior espécie (isso sem dizer que também são péssimos administradores do país).
Bem, temos de ficar de olho pois nunca, jamais, poderemos voltar a perder nosso direito – e também o dever – de falar, reclamar, criticar e até elogiar quando assim for o caso.
Abaixo, reprodução da matéria do Estadão…

- Kirchner e Lula… união na tentativa de calar a boca da imprensa?!?
Kirchners mantêm conflitos constantes com a mídia
Casal evita o contato com jornalistas e não digere com facilidade as críticas veiculadas
BUENOS AIRES - Desde que chegaram ao poder, em 2003, Néstor e Cristina Kirchner mantiveram a relação mais tensa entre o Poder Executivo e a imprensa desde o final da Ditadura Militar, em 1983. O casal – que costuma evitar o contato com jornalistas – não digere com facilidade as críticas das mídia e com frequência afirma que os meios de comunicação são “golpistas”. A própria presidente Cristina esbravejou, dias atrás: “sou vítima de um fuzilamento midiático”.
Em 2007, quando os Kirchners estavam no auge do poder, um dos ministros do gabinete disse, em off a um grupo de correspondentes estrangeiros, entre eles o Estado, que “Néstor e Cristina falam direto com o povo. Portanto, não precisam de intermediários como os jornais”.
Desde o início do ano passado, quando o governo entrou em conflito com os produtores ruralistas, o casal Kirchner está acusando permanentemente diversos meios de comunicação – especialmente o Clarín e seu canal da notícias por TV a cabo Todo Notícias – tentar “desestabilizar” o governo.
Organismos de defesa da liberdade de imprensa afirmam que vários jornais, canais de TV e rádios foram comprados nos últimos anos por empresários sem tradição na área de mídia. No entanto, todo tinham em comum o fato de serem amigos dos Kirchners.
Associações de jornalistas denunciaram ao longo dos últimos anos intensas pressões do governo aos profissionais da mídia, grampos telefônicos e ameaças diversas. Nos últimos meses, escritórios do jornal Clarín foram atacados por ‘comandos anônimos’ com pichações de simpatizantes do casal Kirchner.
Sequer os jornalistas famosos salvaram-se das pressões. Esse foi o caso de Pepe Eliaschev, removido da estatal Rádio Nacional por entrevistar líderes opositores em seu programa de notícias. Outro caso é de Nelson Castro, um dos mais famosos jornalistas políticos do país, demitido da Rádio Del Plata – por pressões dos Kirchners – após fazer comentários sobre um estranho desmaio da presidente Cristina. “Esse é o verdadeiro Kirchner. O Kirchner intolerante!”, diz Castro.
Kirchner, enquanto foi presidente, nunca deu uma coletiva de imprensa, sequer aceitou entrevistas com meios internacionais. Sua esposa Cristina concedeu um punhado de coletivas. Ela só aceitou entrevistas exclusivas com meios de comunicação aliados do governo.
‘Não-indepentente’
O governo não coloca publicidade oficial nos jornais críticos com a administração Kirchner. Mas, os empresários amigos do governo conseguem publicidade oficial farta. Esse é o caso de Rudy Ulloa, ex-office boy e ex-chofer dos Kirchners, que transformou-se em magnata da mídia no sul do país.
No ano passado Ulloa lançou a revista “Atitude”, que na capa ostentava um controvertido slogan: “uma revista que não é independente”.