Certa vez, num café da manhã com a ex-Ministra Cláudia Costin e mais dois amigos, conversamos batante sobre a questão da preparação do porta-voz para entrevistas. Ainda mais quando o assunto é árido, como numa crise de imagem, a porta-voz tem de ser muito bem preparado para todo o tipo de pergunta. Ele deve levar em conta também que no caso de telejornais, a resposta deve ser curta, objetiva e se deve passar apenas a informação solicitada pelo jornalista, de forma mais sintética possível. Se não souber, diga que não sabe e que irá se informar; mas nunca, nunca tente enrolar. Naquela ocasião, a ex-Ministra nos disse que, continuadamente, os seus assessores solicitavam a ela a “ingrata lição de casa” de relacionar uma série de tópicos desagradáveis a respeito dos quais ela não desejaria falar. E, sobre este material, eles elaboravam uma série de perguntas, das mais diversas formas, para que ela pudesse e soubesse responder da forma mais clara, tranparente e segura possível . Este exercício é muito importante para que o entrevistado não seja pego de surpresa, possa responder com tranqüilidade, serenidade e passar a informação correta, fidedigna. Agora, por mais que prepararemos o porta-voz, por mais que abordemos todos os ângulos da questão, devemos deixar um espaço para o imprevisto. Mas até o imprevisto tem de ser o “mais previsível possível”. Pois foi o que ocorreu no vídeo deste post. Independentemente de posicionamento político-partidário, o caso em si mostra que, por mais preparado que seja um porta-voz, por mais competente que seja seu assessor de comunicação, sempre há algo imprevisto. E foi isso que quis provocar ao perguntar, há alguns anos, quando José Serra era candidato à Presidência da República, no Programa do Jô, sobre qual nota daria ao governo Fernando Henrique Cardoso. Notem o misto de surpresa e satisfação na cara do perplexo Jô Soares e a hesitação inicial de Serra com o questionamento inesperado. Ele gagueja, confunde as coisas, mas depois retoma. Isso acontece com todo mundo. Até com os maiores comunicadores da história. É preciso aprender com estas questões para nos prepararmos de forma mais completa possível. No dia seguinte, a maioria dos jornais de todo o país estampavam manchetes com a nota dada por Serra ao governo FHC. Dois dias depois, o governador de São Paulo à época, Geraldo Alckmin, aumentava em meio ponto a nota e o assunto voltava às manchetes dos jornais. Assista ao vídeo acima e veja, abaixo, algumas repercussões…
Preparação do porta-voz para perguntas delicadas
Quinta-feira, 2 Outubro, 08 · 2 Comentários
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