Marta Suplicy tinha tudo para consertar o grave erro de sua campanha (citado no post abaixo, onde a condição pessoal de Kassab era questionada) se afirmasse que ela autorizou ou sugeriu que assim fosse feito. Enfim, se chamasse para si o erro, sem sombra de dúvida, teria resgatada parte da popularidade perdida com o desatino. Porém, não consigo entender o porquê de mais um erro grave – e básico - como este realizado por sua equipe de comunicação.
Entre inúmeros exemplos de má condução do gerenciamento de crise de imagem, como no caso levantado, podemos citar um notório, ocorrido em 2003, quando o programa de Gugu Liberato levou ao ar uma entrevista com falsos integrantes de uma facção criminosa, que ameaçavam uma série de personalidades. Tudo em nome da audiência. O fato, em si, foi gravíssimo! Porém, no dia seguinte, na poltrona de Hebe Camargo, ao vivo, para o Brasil todo, ele teve a possibilidade de minimizar e reverter a crise de imagem chamando para si a responsabilidade. O que fez? Em vez disso, informou que no dia da veiculação da falsa entrevista chegara em cima da hora à emissora por conta de questões particulares e que não sabia que sua produção havia preparado o quadro. Ou seja, jogou para terceiros a responsabilidade de sua bobagem. Conseqüência: com a queda da credibilidade, veio também o despencar da audiência e, conseqüentemente, a baixa no volume de patrocínios. Para quem deseja relembrar o fato, aí vai o link de uma das matérias á época: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u82801.shtml
No contraponto, está a estratégia bem sucedida de reverter a aguda e instantânea negatividade na imagem realizada pelo jogador Ronaldo. Embora ninguém tenha nada a ver com a vida pessoal dele e tampouco como gasta ou investe seu dinheiro, o fato de ele ser formador de opinião faz com que cada ato seu deva ser bem pensado antes de ser cometido.
Em abril deste ano, ele se envolveu num escândalo com travestis (relembre, em uma das matérias: http://www.estadao.com.br/esportes/not_esp164313,0.htm) e, mesmo sem culpa de nada (não cometeu nenhum delito ou algo ilegal), foi à imprensa para “confessar o mea culpa“. Ou seja, não se escondeu e também não contradisse o que os envolvidos disseram. Foi um gentleman em sua fala e, além de reverter a negatividade gerada pelo episódio, ganhou, sem dúvida alguma, inúmeros fãs adicionais. De tirar o chapéu para ele e para a sua assessoria de comunicação!
Todos podemos errar (quando for apenas erro e não uma ação especialmente pensada com interesse vil), mas persistir no erro é condenável, além de uma tremenda burrice que acarreta prejuízo pessoal e profissional!!!