Polêmica na fusão Itaú – Unibanco. Será que é mesmo uma boa???

A maioria dos colegas jornalistas é efusiva ao comentar a questão, certamente impelida pelo positivismo do Governo Federal. Mas nem tudo são flores nesta questão. Há quem discorde, como o economista, especializado em finanças, fusões e aquisições e MNA, Laerte Russo Farias. Leia, abaixo, o seu artigo.

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A fusão e o crédito

pelo Economista Laerte Russo Farias

Ao que parece, vivemos uma fase de euforia com a notícia da fusão Itaú-Unibanco neste início de semana. Isto se deve, no meu modo de ver, a uma necessidade do mercado em ver alguma notícia favorável diante de tantas incertezas e perdas das últimas semanas.

Entretanto, a coisa não é bem assim como parece. Quando a euforia baixar, vamos perceber que esta fusão vai criar mais dificuldades para as empresas e para o crédito do que benefícios.

Contrariando nosso ministro que saiu na frente para aproveitar a necessidade de boas novas, esta fusão, assim como a compra e a incorporação de bancos, como já vimos no passado recente, não traz benefício algum ao crédito nem as empresas que necessitam de mais capital para crescer.

Vejamos o caso de uma empresa que tem conta nos dois bancos (e não são poucas) e tem limites de crédito estabelecidos pelas instituições independentes, com avaliação de risco independente. Estas empresas, na grande maioria das vezes, têm limites que serão reduzidos quando uma única instituição de crédito for avaliá-la. É obvio que não vão revisar suas regras de concessão de crédito, nem flexibilizá-las para dizer à empresa que uma instituição avaliava individualmente por um teto, não vai duplicá-lo ou triplicá-lo. O que vai acontecer é um corte de limites como ocorreu em 100% dos casos em que um banco comprou outro até agora.

“O mercado ajusta-se”, diria um analista do setor financeiro. Eu concordo que sim, mas no médio prazo.

O que significa isto? Significa que no curto prazo a premissa de que a fusão fortalece o sistema e pode gerar aumento de crédito é falsa. Estamos sendo novamente enganados pela fala populista.

Outro ponto muito importante a ser observado é que a redução das instituições, concentrando o mercado financeiro (que vai aumentar, pois outros grandes bancos vão procurar ajustar suas posições no mercado), aumenta a força dos agentes de financiamento na concessão de fomento ao mercado, criando dificuldade na política industrial e no crescimento de setores não privilegiados por estas instituições.

Como anda o crédito para as pessoas físicas? – Deve estar ótimo para quem se dispõe a pagar de 7% a 15% ao mês de juros. Isto beneficia quem?

Como anda o financiamento de Capital de Giro para o crescimento do país? – É só tirar o BNDES da lista e ver o que sobra e quanto está disponível.

Também entendo que se nosso sistema financeiro tem instituições fortes e sólidas, cria-se um sentimento de segurança e conforto para os investimentos e para o crescimento da economia; mas o fato gerador deste crescimento, lembrem-se, não está baseado no crédito bancário e sim nos investimentos gerados pelas poupanças das famílias que se sentem mais confiantes e se dispõem a “desentesourar” suas riquezas. Lá, mais adiante, alguém vai confundir tudo novamente e dizer que, como temos um sistema financeiro forte e com grandes instituições, nossa economia vai bem….grande ilusão!

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Laerte Russo Farias é economista e já realizou mais de 60 gestões de recuperação empresarial. É especialista na área de Fusões e Aquisições, Governança Corporativa e Plano de Negócios. É diretor da LRF Consultores e conquistou, entre outros, o Prêmio “Destaque IBEF” em 1998.

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