Sim, o Brasil tem jeito!

*por Dora Silvia Cunha Bueno

Dora Silvia - 2010

Vivenciamos, diariamente, ações de altruísmo, de ajuda ao próximo, de construção de uma sociedade mais justa e digna e, neste campo, as entidades do Terceiro Setor tem tido um papel relevante. Sim, isto existe e está bem arraigado ao jeito brasileiro de ser, apesar de vivermos momentos de incerteza, de falta de valores, reputação em baixa e um desânimo que leva à diminuição da autoestima. Contudo, sempre, em qualquer situação, é importante vermos a metade do copo cheia.

Não é à toa que todos que aqui visitam ficam apaixonados por nossa gente hospitaleira. Contudo, infelizmente, há contaminação do clima pesado junto ao nosso povo. E não podemos ficar passíveis frente ao que está ocorrendo. Urge que se restabeleça o comportamento calcado na ética e integridade em todos os segmentos de nossa sociedade.

Vemos que o governo, em todas as esferas – municipal, estadual e federal –, sem o apoio da sociedade civil, tem tido dificuldades para suprir a totalidade das necessidades da população. E, na atual conjuntura, onde a arrecadação de recursos diminuiu, menos ainda. Para tal, a sociedade deve se organizar – como vem fazendo e deve fazer cada vez mais – e agir sempre em consonância com o poder público, abrindo frentes de diálogo e de participação conjunta. É por este motivo que o Terceiro Setor vem ganhando importância crescente. Digo inclusive que, atualmente, é imprescindível. Sem ele, estaríamos em situação calamitosa.

Fundações e Associações, chamadas de Organizações da Sociedade Civil (OSCs), que compõem o Terceiro Setor, vêm trabalhando para a melhoria da qualidade de vida no Brasil nos vários setores: assistência social, educação, saúde, pesquisa e tecnologia, cultura, meio ambiente, entre outros. Além de ser protagonista de mudanças, o Terceiro Setor promove o diálogo a partir das reivindicações da população.

Numa democracia cada vez mais consolidada e madura como a nossa, pessoas têm cada vez mais voz e vez e devem exercer o seu direito pleno a participar das discussões, ações e decisões do governo. E, por isso, canais de diálogo são vitais.

Dados do Mapa das Organizações da Sociedade Civil elaborado pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apontam que, em 2015 (dado mais atual disponível), o número de Fundações e Associações sem fins lucrativos era de 391 mil. A entidade que presido, a Associação Paulista de Fundações – APF, reúne Fundações com relevantes serviços prestados à sociedade e trabalha com grande empenho na defesa da causa deste segmento.

Anualmente, realizamos evento para reunir associados e interessados no tema que desejam ser protagonistas da história do Brasil. Neste ano, o encontro – que ocorre em 29 de agosto, das 8h às 12h30 no Espaço Sociocultural do CIEE no Itaim Bibi, em São Paulo – tem como tema: “Ética e Integridade para um Novo Brasil – Compliance: como enfrentar os riscos do ambiente regulatório e contribuir para a criação de novas práticas institucionais no País”. O debate, exatamente neste momento crucial que vivemos, contará com participantes renomados na área com o objetivo de discutir as boas práticas de gestão nas Fundações e entidades do Terceiro Setor. O termo Compliance, em resumo, diz respeito às regras que devem ser seguidas e como detectar ou tratar qualquer desvio ou inconformidade que possam ocorrer.

E é isto que o nosso Brasil precisa: respeitar regras, diretrizes, deveres e instituições para que possamos, todos juntos, lutar por mais justiça social, direitos plenos e uma vida mais digna. Para tal, o Terceiro Setor deve ser cada vez mais atuante, respeitado, conhecido e reconhecido. Nosso grupo, na APF, trabalha neste sentido, valorizando o trabalho e atuação das Fundações para o bem de nosso País e da sociedade brasileira. Sim, o Brasil tem jeito; basta querermos e todos agirmos para tal.

*Dora Silvia Cunha Bueno é presidente da diretoria da Associação Paulista de Fundações – APF, presidente da Confederação Brasileira de Fundações – CEBRAF, assessora para assuntos parlamentares da Federação Brasileira de Associações Sócio Educacionais de Adolescentes – FEBRAEDA e diretora vice-presidente do Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas – FONIF.

 

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