Entrevista com o presidente da Fadesp, Dr. Hermes Barbosa

Nesta entrevista, o presidente da Federação das Associações de Advogados do Estado de São Paulo (Fadesp), Dr. Hermes Barbosa, fala sobre as atividades realizadas em prol dos advogados e da advocacia em São Paulo e no Brasil. Confira!

Preservação do direito ao sigilo da fonte

Advogado defende a preservação do direito ao sigilo da fonte em matérias jornalísticas

 

alexmillan

Dr. Alexandre Millan (foto) apóia o fato de que para haver efetiva liberdade de expressão é preciso preservar a fonte

 

Para que possam elaborar matérias claras, objetivas, ponderadas e éticas, jornalistas têm de ouvir diversas fontes; devem analisar, de acordo com os dados, quem está falando a verdade, quem o está tentando enganar e, deste mix de informações, redigir uma matéria equilibrada que conte o fato real, a verdade com seus vários pontos de vista. “E, para tal, é necessário manter-se o sigilo destas fontes, pois, do contrário, a credibilidade fica prejudicada pois as informações poderão sofrer interferência pelo fato de que a pessoa possa ser identificada”, afirma Millan.

 

De acordo com ele, se o direito ao sigilo não mais ocorrer, informações passadas ao público podem ficar comprometidas. O advogado, porém, chama a atenção para um fato: “É importante que o jornalista, por sua vez, seja ético, correto e não aja por interesses próprios, manipulando a fonte ou distorcendo informações. Aliás, a ética permeia todos os ramos de atividade, ainda mais para jornalistas, que são formadores de opinião. A própria ‘seleção natural’ do mercado faz com que aquele determinado profissional de imprensa tenha credibilidade e sucesso ou não”.

 

Millan lembra de um fato ocorrido há alguns anos com um famoso apresentador de televisão que levou ao ar entrevistas com falsos membros de uma facção criminosa e paga até hoje por este ato. “Na matéria, os entrevistados faziam ameaças a personalidades, artistas, empresários. O objetivo do apresentador era aumentar a visibilidade do seu programa. Mas o tiro saiu pela culatra, pois, com a farsa levada a público, ele perdeu credibilidade e, com isso, audiência, prestígio e patrocinadores”, relembra.

(Há um post com mais detalhes sobre este caso aqui no Blog: https://amdanon.wordpress.com/2008/10/21/marta-reedita-erro-do-caso-gugu-ela-poderia-ter-se-espelhado-no-exemplo-recente-do-jogador-ronaldo/).

 

Millan chama atenção para o fato de que se uma pessoa sentir-se lesada por determinada matéria, ela tem o direito de utilizar os meios legais para resgatar sua imagem. “Há uma série de ações que podem ser realizadas, inclusive de Danos Morais, além do fato de o veículo de imprensa ser obrigado a reproduzir a informação verdadeira, com o mesmo tamanho e destaque da matéria original”, finaliza Dr. Alexandre Millan.