O caso Cláudia Liz e a Clínica Santé

Muitos me perguntam como foi realizada a administração deste “Gerenciamento de Crise de Imagem” na comunicação. Bem, o fato ocorreu em 10 de outubro de 1996. Era madrugada quando fui chamado pela direção da clínica, que me explicou, detalhadamente, o que havia acontecido. Fiz uma série de espinhosas perguntas, pois este é papel do assessor de comunicação neste momento, já que, em entrevistas, ele ou seu cliente serão indagados, em algum momento, indubitavelmente, a respeito. Não vou entrar em detalhes sobre o caso, mas o fato é que a clínica e o anestesista salvaram a modelo. Fizeram um trabalho exemplar; tanto é que ela está aí, firme e forte, sem seqüela alguma. Porém, naquele momento, o massacre da mídia era forte e impiedoso. Tínhamos, de todas as formas, de sair com um comunicado oficial, pois os jornalistas, estrategicamente posicionados à porta, estavam sendo cobrados por suas chefias.

Concomitantemente, carros a toda hora passavam na porta da Santé e seus ocupantes gritavam, xingavam, sem saber ao certo a causa de a modelo ter passado mal. Aqui abro um parênteses: este caso e, principalmente, o caso da “Escola de Base” mostraram muito bem que é preferível uma apuração fidedigna, fiel, profunda a ser realizada pelo jornalista a um furo sem consistência que, inclusive, pode arrasar com a vida de pessoas. Lá dentro, todos nervosos. Neste clima tenso, confeccionei o primeiro boletim médico.

Porém, era importante, mantendo-se a linguagem jornalística, que se conversasse com a assessoria jurídica da Santé para se checar se o texto não ia de encontro a algum item importante desta esfera. Logo depois desta reunião com os advogados, de imediato reuni todos os jornalistas lá presentes (dos principais meios de comunicação do país) e li o comunicado, que foi retransmitido, ao vivo, por inúmeras rádios e emissoras de TV. Na seqüência, distribuí o texto a todos os presentes. Algumas horas mais tarde apenas, tive de escolher um jornalista de expressão, ético, correto, que apura mesmo e vai atrás da verdade dos fatos. E eis que falei com o Boris Casoy e lhe expliquei, ao telefone, detalhadamente tudo o que ocorreu. Meia hora depois, lá estava ele, no ar, numa posição muito equilibrada, convidando o telespectador a esperar o laudo para saber exatamente o que ocorrera e de quem era a culpa. A partir daí, as posições começaram a ficar menos agressivas. Dia a dia, íamos munindo a imprensa com informações precisas, detalhadas, atendendo a todos os questionamentos. Pouco a pouco a negatividade foi diminuindo e a grande virada foi quando, após alguns dias, ela acordou, linda e formosa, como se nada tivesse ocorrido. Um dia antes de ela acordar (ela estava em coma induzido), havida morrido o cantor e compositor Renato Russo. O vídeo anexo retrada um pequeno trecho dos seguintes telejornais: SBT Brasil, Jornal Nacional e Jornal do SBT e há uma deferência, feita pelo repórter Tonico Ferreira (então no SBT e, agora, na Globo), a respeito do comunicado. Ele cita: “O comunicado, escrito com habilidade, … “. Confira e comente!

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