Mário Fleck é o terceiro entrevistado da série “Danon Entrevista”

Evento realizado pelo Centro Judaico Bait tem como foco o debate de ideias dos mais variados segmentos

“Danon Entrevista…” Mário Fleck

Com o objetivo de reunir tanto o público que frequenta como aquele que ainda não conhece a entidade, o Centro Judaico Bait, através da iniciativa de seus diretores Marcelo Finguerman e Cláudia Caon, convidou o jornalista Alberto M. Danon para um evento com formato de entrevista denominado “Danon Entrevista”.

A ideia é trazer assuntos de interesse das mais variadas áreas para debates de alto nível na entidade a cada três meses. A primeira entrevista foi com a psicóloga Léa Michaan e o tema foi “Como lidar com pessoas chatas”. Já na segunda edição, o entrevistado foi o presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, Dr. Arthur Dzik, que falou sobre reprodução assistida.

A terceiro edição ocorreu na quinta-feira passada, 22 de setembro, sendo o entrevistado  Mário Fleck (foto acima). Presidente da Rio Bravo, gestora de recursos independente, especializada no mercado brasileiro,  Mário Fleck  foi, por quatro anos, diretor de renda variável e ajudou a criar o Rio Bravo Fundamental FIA, fundo de valor e ativismo, do qual continua sendo o gestor. Antes disso, trabalhou 28 anos na Accenture, sendo 14 como o presidente da empresa no Brasil. Formou-se em Engenharia Mecânica e Industrial pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. É membro do conselho de administração da Bematech e Eternit, foi conselheiro da Cremer, Nossa Caixa, Unipar,  Ferbasa e Direct Talk. É vice-presidente da Federação Israelita de São Paulo e da Câmara de Comércio Brasil-Israel. É membro do International Board do Instituto Chaim Weizmann de Ciências em Israel.

A entrevista, que teve como tema O mundo está mudando rapidamente. A economia e as finanças, idem. Venha saber TUDO a respeito e como isto afeta TODOS NÓS!”, atraiu um interessado público e abordou desde finanças pessoais, passando por qualificação de empresas, riscos, fundos de investimento até a situação econômica e financeira do mundo como um todo numa linguagem bastante acessível a todos.

Economia brasileira é atrativa para quem está ávido por lucros

Fonte: jornal Financial Times
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A forte alta das ações e moeda brasileiras nos últimos dois meses deixou muitos analistas à procura de explicações convincentes.

O índice da Bolsa de Valores de São Paulo, a Bovespa, valorizou de 35 mil pontos no início de março para quase 52 mil pontos na manhã de quarta-feira.

O índice subiu mais de 75% desde sua queda em outubro passado, apesar de ainda estar longe de sua alta de mais de 73 mil pontos há um ano.

Enquanto isso, o real – que se desvalorizou frente ao dólar americano de R$ 1,62 para R$ 2,48 entre agosto e dezembro – era negociado a R$ 2,12 na manhã de quarta-feira.

Ele se recuperou tão rapidamente nesta semana que o Banco Central começou novamente a comprar os dólares americanos pela primeira vez desde setembro.

“Eu vou te dizer, é muito confuso”, disse Alvise Marino, analista de mercados emergentes da IDEAglobal, uma firma de pesquisa de Nova York.

Por um lado, as notícias econômicas que vêm do Brasil – assim como de todos os mercados emergentes e do mundo em geral – não são tão boas.

A produção industrial caiu mais de 10% em março, em comparação ao ano passado, após três quedas mensais consecutivas de cerca de 17%.

As vendas de veículos – um indicador chave, que despencou em dezembro mas se recuperou neste ano, graças a uma isenção temporária de impostos – caiu de novo em abril em 13,6% em comparação a março.

Pequenas recuperações nas vendas no varejo e na confiança dos consumidores e das empresas não são suficientes para explicar o ânimo dos investidores.

Por outro lado, entretanto, as perspectivas do Brasil certamente são favoráveis se comparadas às de outros países.

Suas reservas de moeda estrangeira de US$ 200 bilhões fornecem um amortecimento sólido contra volatilidade e afastam qualquer ameaça de calote à dívida.

De fato, o Brasil é credor líquido para o mundo e está se preparando para emprestar dinheiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Apesar do espaço de manobra do governo no lado fiscal ser limitado pela queda da receita tributária e aumento de gastos com folha de pagamento, deixando pouco dinheiro para gastos destinados a estímulo econômico, o governo conta com bastante espaço na política monetária.

O Banco Central tem reduzido sua taxa de juros referencial neste ano, mas a 10,25% ela ainda é muito alta e o banco deverá prosseguir nos cortes enquanto a inflação permanecer sob controle.

Outra explicação é que com as taxas de juros reais nos países desenvolvidos próximas de zero, os investidores que estavam guardando seu dinheiro estão novamente à procura de rendimento.

Os investidores estrangeiros retiraram mais de R$ 26 bilhões da Bolsa de Valores de São Paulo entre junho e janeiro.

De lá para cá, mais de R$ 5,7 bilhões retornaram, incluindo R$ 3,8 bilhões apenas no mês passado.

“Os Estados Unidos estão buscando políticas monetárias muito agressivas, expansionistas, e isso cria um aumento muito forte na liquidez”, disse Marino. “Investidores que estavam avessos a risco agora estão mais à vontade em retornar ao mercado. O fato é que o real brasileiro continua atraindo o apetite internacional por risco.”

Polêmica na fusão Itaú – Unibanco. Será que é mesmo uma boa???

A maioria dos colegas jornalistas é efusiva ao comentar a questão, certamente impelida pelo positivismo do Governo Federal. Mas nem tudo são flores nesta questão. Há quem discorde, como o economista, especializado em finanças, fusões e aquisições e MNA, Laerte Russo Farias. Leia, abaixo, o seu artigo.

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A fusão e o crédito

pelo Economista Laerte Russo Farias

Ao que parece, vivemos uma fase de euforia com a notícia da fusão Itaú-Unibanco neste início de semana. Isto se deve, no meu modo de ver, a uma necessidade do mercado em ver alguma notícia favorável diante de tantas incertezas e perdas das últimas semanas.

Entretanto, a coisa não é bem assim como parece. Quando a euforia baixar, vamos perceber que esta fusão vai criar mais dificuldades para as empresas e para o crédito do que benefícios.

Contrariando nosso ministro que saiu na frente para aproveitar a necessidade de boas novas, esta fusão, assim como a compra e a incorporação de bancos, como já vimos no passado recente, não traz benefício algum ao crédito nem as empresas que necessitam de mais capital para crescer.

Vejamos o caso de uma empresa que tem conta nos dois bancos (e não são poucas) e tem limites de crédito estabelecidos pelas instituições independentes, com avaliação de risco independente. Estas empresas, na grande maioria das vezes, têm limites que serão reduzidos quando uma única instituição de crédito for avaliá-la. É obvio que não vão revisar suas regras de concessão de crédito, nem flexibilizá-las para dizer à empresa que uma instituição avaliava individualmente por um teto, não vai duplicá-lo ou triplicá-lo. O que vai acontecer é um corte de limites como ocorreu em 100% dos casos em que um banco comprou outro até agora.

“O mercado ajusta-se”, diria um analista do setor financeiro. Eu concordo que sim, mas no médio prazo.

O que significa isto? Significa que no curto prazo a premissa de que a fusão fortalece o sistema e pode gerar aumento de crédito é falsa. Estamos sendo novamente enganados pela fala populista.

Outro ponto muito importante a ser observado é que a redução das instituições, concentrando o mercado financeiro (que vai aumentar, pois outros grandes bancos vão procurar ajustar suas posições no mercado), aumenta a força dos agentes de financiamento na concessão de fomento ao mercado, criando dificuldade na política industrial e no crescimento de setores não privilegiados por estas instituições.

Como anda o crédito para as pessoas físicas? – Deve estar ótimo para quem se dispõe a pagar de 7% a 15% ao mês de juros. Isto beneficia quem?

Como anda o financiamento de Capital de Giro para o crescimento do país? – É só tirar o BNDES da lista e ver o que sobra e quanto está disponível.

Também entendo que se nosso sistema financeiro tem instituições fortes e sólidas, cria-se um sentimento de segurança e conforto para os investimentos e para o crescimento da economia; mas o fato gerador deste crescimento, lembrem-se, não está baseado no crédito bancário e sim nos investimentos gerados pelas poupanças das famílias que se sentem mais confiantes e se dispõem a “desentesourar” suas riquezas. Lá, mais adiante, alguém vai confundir tudo novamente e dizer que, como temos um sistema financeiro forte e com grandes instituições, nossa economia vai bem….grande ilusão!

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Laerte Russo Farias é economista e já realizou mais de 60 gestões de recuperação empresarial. É especialista na área de Fusões e Aquisições, Governança Corporativa e Plano de Negócios. É diretor da LRF Consultores e conquistou, entre outros, o Prêmio “Destaque IBEF” em 1998.

Matéria de capa da Revista da Folha de ontem

Olá pessoal,

Primeiramente, quero agradecer ao grande número de manifestações, muitas delas por e-mail, a respeito deste novo projeto. É gratificante sentir este retorno. Nosso muito obrigado!

Ontem, a Revista da Folha trouxe como matéria de capa algo interessante e diferente: curiosidades e depoimentos de colegas da época em que os principais candidatos à prefeitura de São Paulo (por ordem alfabética: Gerlado Alckmin, Gilberto Kassab, Marta Suplicy e Paulo Maluf) estavam na faculdade. O link, para quem é assinante do UOL ou da Folha é: http://www1.folha.uol.com.br/revista/rf2809200807.htm.

Folha de S. Paulo
Fotos dos candidatos à época que estavam nas respectivas universidades. Fonte: Folha de S. Paulo

Bem, embora o Kassab seja seis anos mais velho do que eu, cursamos juntos várias matérias na Poli. Pois é, antes de Jornalismo, fui aluno de Engenharia Civil da Escola Politécnica da USP, faculdade que cursei por quatro anos, mas não me formei.

Desde então, sempre nos encontramos em divesas ocasiões, tendo eu, portanto, acompanhado bem sua trajetória. Lembro-me, diferentemente do que está escrito na matéria (o único equívoco, a meu ver), de quando o auxiliei em sua primeira investida política como candidato para dirigir o Grêmio Politécnico. Recordo da frase que ele me disse naquela ocasião: “Preciso do seu apoio pois você é muito bem relacionado aqui na faculdade”. Nascia aí a carreira política de Kassab. Porém, é importante salientar o grande e profícuo trabalho realizado pelo nosso amigo em comum Luís Rogério Telles Scaglione, que, infelizmente, não está mais entre nós, mas foi o porta-voz e incentivador-mor do atual prefeito. Era ele quem “traduzia” a mensagem do Gilberto com uma eloqüência rara de se ver. Mas a carreira de ambos deslanchou quando todos fomos participar do conselho de “Jovens Empresários da Federação do Comércio do Estado de São Paulo”, desde aquela época presidido pelo querido Abram Szajman. Através de interessantes atividades e palestras de formadores de opinião, o networking da direção deste grupo (entre eles, Kassab e Scaglione) foi sendo construído e o Gilberto soube aproveitar bem. Recentemente, Kassab me confidenciou que toda manhã faz uma prece em memória do Scaglione.

A matéria traz curiosidades interessantes e foi levada ao público com uma abordagem diferente, onde, de forma subliminar (mas direta), pode-se ver o perfil de caráter e personalidade dos que pleiteiam um cargo majoritário em nossa cidade de São Paulo. Quem ainda não leu, vale a pena: http://www1.folha.uol.com.br/revista/rf2809200807.htm.