A proeza na comunicação infantil e com todos os públicos

Reproduzimos, com grande satisfação, matéria publicada na edição desta semana da Vejinha sobre a nossa querida amiga Tatiana Belinky, uma das precursoras da TV brasileira e uma das autoras mais lidas e premiadas da literatura infantil. Tivemos o privilégio e a felicidade de estar na festa de seus 90 anos, realizada pelo filho, Ricardo Gouveia, e pela nora, Fathia de Nordon, na noite de quarta-feira passada, 18 de março de 2009. Abaixo, a íntegra da matéria.

Menina nonagenária

Autora de dezenas de livros infantis, Tatiana Belinky completa 90 anos com a imaginação a mil e trabalhos em catorze editoras

 

Por Helena Galante

| 25.03.2009

 

Fernando Moraes
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Com a boneca Emília: a escritora adaptou para a televisão a obra de Monteiro Lobato

 

A bordo de um transatlântico, em 1929, a viagem da garotinha russa Tatiana Belinky para o Brasil pareceu uma brincadeira. Entusiasmada com a possibilidade de comer muitas bananas, a menina nascida na cidade de Petrogrado (hoje São Petersburgo) e criada em Riga, na Letônia, acompanhava sua família em busca de melhores oportunidades de emprego. Hoje, com 90 anos de idade completados na última quarta, Tatiana conta o passado como se fosse o enredo de um de seus mais de 120 livros e traduções. Autora de obras do universo infantil como Cinco Trovinhas para Duas Mãozinhas, Mentiras… e Mentiras e Limeriques do Bípede Apaixonado, ela adora anedotas – principalmente aquelas nas quais é a personagem principal.

Numa casa ampla e escura no Pa–caembu, a senhora de movimentos vagarosos e fala agitada passa a maior parte do dia em uma poltrona, ao lado da gata preta Nina. De lá, aponta para uma boneca Emília e recorda um de seus orgulhos. Na década de 50, adaptou para a televisão a obra de Monteiro Lobato. Foi a primeira versão do programa Sítio do Picapau Amarelo. “Fazia vários roteiros por dia, uma loucura”, conta. De tanto martelar na máquina de escrever, foi vítima de uma artrite nas mãos. Por isso, há anos escreve seus textos em cadernos de capa mole, que envia às editoras. “Uso a mão esquerda e a direita”, acrescenta. Além da habilidade de ambidestra, exibe um currículo de poliglota. Fala russo, alemão, letão, inglês e um português irretocável. Tatiana Belinky trabalha com catorze editoras e não se assusta ao ver mudanças – nem as ortográficas. “Podem fazer essa reforma bobo-ortográfica”, diverte-se. “Os tais tremas nunca me fizeram tremer.”

Imersa no mundo dos pequenos, Tatiana conquistou também os adultos. “Os livros dela são cúmplices”, afirma o cartunista e escritor Ziraldo. Foi ele quem lhe entregou o Prêmio Jabuti de melhor produção editorial infantil e/ou juvenil em 1991, por Di-Versos Russos. “Para os leitores, fica a impressão de que ela é uma criança.” Entre os fãs mirins, os mais espevitados ocupam lugar de destaque no cancioneiro de Tatiana. É o caso de um menino que, desconsolado por ter esquecido seu livro de autógrafos, ofereceu um papelzinho e disse: “Assina aqui, Tati, que eu copio depois”. Ela prontamente atendeu ao seu pedido, sem esboçar uma risada. “Não devemos rir das crianças”, explica. “Eu rio com elas.” Nem sempre, porém, as aproximações do público são delicadas. Quando perguntada por um garoto negro se era racista, não titubeou. “Você vê orelhas de burro na minha cabeça? Só é racista quem é burro”, respondeu.

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 Episódios marcantes: em 1991, ao receber de Ziraldo o Prêmio Jabuti; aos 18 anos, na formatura do curso de secretariado do Mackenzie; e com o marido e parceiro de trabalho, Júlio Gouveia

A capacidade de fugir de saias-justas vem da longa experiência com o público. Seu primeiro texto, uma adaptação de Peter Pan, do escocês J.M. Barrie, foi apresentado no Teatro Municipal em 1948. No elenco estavam Gilberta Autran (grande amiga de Tatiana e irmã do ator Paulo Autran, à época chamado apenas de Paulinho) e os críticos Clóvis Garcia e Alberto Guzik, entre outros. A direção ficou a cargo de Júlio Gouveia, seu marido, morto em 1989 aos 75 anos de idade. Ela gosta de contar como o conheceu – embaixo de uma mesa, num casamento, devorando uma travessa de ovos recheados. “O Júlio era bonitão”, lembra, com a mão sobre a aliança de casamento, que nunca tirou. “E um ótimo profissional.” Bisavó ativa, alfabetizou as crianças de sua família sem lições, apenas com joguinhos. Para incentivar o gosto pela leitura, não manda ninguém ler. “Livro não é castigo para mandar”, diz. “Se a criança quiser, eu deixo, é um prazer.” Um recente trabalho, a peça Tamanho Não É Documento, ilustrada por Flávio Fargas, é dedicado às crianças, “sempre importantes e maiores por dentro do que por fora”. Da mesma forma, a energia e a criatividade dessa escritora extrapolam seu corpo já frágil de 1,57 metro de altura. “A carcaça não é mais a mesma”, brinca. “Mas cuido de me manter ocupada, para não deixar o miolo enferrujar.”
 
 

 

Fonte: revista Veja São Paulo desta semana

Especial para VOCÊ, caro leitor, cara leitora…

Reproduzo, abaixo, os dizeres enviados pela nossa agência, a ADCom Comunicação Empresarial, por ocasião do ano de 2009:

Palavra é uma unidade de linguagem falada ou escrita. Porém, mais do que isso, é a forma que temos para expressar todas as nossas atitudes.

 

Que na jornada que tem início, você possa utilizar e receber combinação de palavras boas de luz, de força e de crescimento pessoal e profissional.

 

Que em 2009 você possa ser o precursor de excelentes notícias!

 

Forte abraço,

dizeres-ano-novo-2009-adcom

Programa mais antigo da TV brasileira comemora 47 anos com homenagem a seu fundador

A cerimônia, que reuniu cerca de 300 pessoas, aconteceu na noite desta segunda-feira, 6 de outubro, no Centro de Cultura Judaica, em São Paulo. O programa “Mosaico na TV”, que está no ar, ininterruptamente, há 47 anos, sob coordenação do fundador e produtor Francisco Gotthilf (foto), hoje com 85 anos, é considerado o mais antigo da TV brasileira, segundo o Guiness Book. No evento, foi projetado um vídeo de 33 minutos, muito bem elaborado, com apresentação do ator Caco Ciocler e com uma série de depoimentos, mostrando toda a trajetória do programa, que começou na TV Excelsior e passou por diversas emissoras (veja trecho de dois minutos logo abaixo deste post). A platéia, constituída por patrocinadores, apoiadores, colaboradores e amigos, aplaudiu de pé o “Sr. Mosaico”, como é conhecido Gotthilf. Entre os repórteres / apresentadores que passaram pelo programa, destacam-se: Boris Casoy, Ney Gonçalves Dias, Mona Dorf, Mauro Zukerman, Abrão Lowenthal, Eliana Guttman, Addy Heilbut, Ana Rosa Rojtenberg e este que vos escreve (Alberto Danon), entre outros.

Foi uma noite emocionante, principalmente para os que, de alguma forma, ajudaram a construir a história deste legendário programa, conduzido pelo guerreiro e batalhador Sr. Francisco Gotthilf.

Ao final, todos granharam um livro e um DVD com a história do programa e do Sr. Francisco, devidamente autografado pelo homenageado da noite.

Aqui vai o link para o Wikipedia a respeito do programa e do Sr. Francisco (texto reproduzido na última imagem, abaixo): http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Gotthilf

Logo na seqüência, também, seguem duas imagens: a primeira, de recente homenagem ao Sr. Francisco na Câmara Municipal de São Paulo; e outra, diretamente de 1993, sobre uma reportagem na revista Veja a respeito dos programas étnicos, com destaque para o Mosaico (na imagem da publicação, este missivista com a atriz e apresentadora Eliana Guttman). Acompanhe, também, trecho de dois minutos do documentário de 33 minutos apresentado no evento sobre o Mosaico na TV e o Sr. Francisco Gotthilf.