Tendências do marketing para 2010

O ano de 2010 chegou e já começaram as listas de dicas para melhorar seu negócio neste ano novo – e não por acaso as listas com o número 10 ganharam um novo charme.

Susan Gunelius, presidente da consultoria de marketing americana KeySplash Creative Inc., resolveu ajudar os leitores do site da Entrepreneur com 10 tendências na área para 2010. Abaixo você conhece o que fazer para melhorar suas táticas e conquistar mais consumidores.

1.    Transparência

Depois de tantos eventos economicamente ruins, é preciso reconquistar a confiança dos consumidores. E, para isso, é preciso ser sincero. Construir a lealdade é um dos fatores mais importantes para solidificar uma marca. E não esqueça que manter a transparência com seus clientes é um processo contínuo.

2.    Mais conteúdo
Na hora de divulgar sua marca, dê informações valiosas, que acrescentem algo – se antes o objetivo da propaganda era apenas conseguir a atenção do consumidor, agora precisa ser o de transmitir os valores da empresa.

3.    Falando de valores

Com a recente crise econômica, muitos consumidores passaram a buscar descontos, promoções e a negociar para gastar seu dinheiro de forma consciente. Mesmo quando as coisas melhorarem, o que já está acontecendo, é bom ter em vista esse comportamento, construindo campanhas que o favoreçam.

4.    É melhor mostrar do que apenas falar
Na hora de fazer uma campanha sobre algum produto ou serviço sempre prefira mostrar visualmente o que ele oferece do que apenas falar sobre suas qualidades e benefícios – os consumidores andam meio céticos… é melhor confiar no sentido da visão do que apenas a força da sua lábia.

5.    O pássaro azul não vai fugir, então se acostume
As redes sociais vieram para ficar – e provavelmente muitos dos seus clientes estão no Twitter, no Facebook e em outras ferramentas da internet -, portanto comece a interagir e a atingi-los também nesses meios – ofereça conteúdo exclusivo e promoções.

6.    Um pouco de positividade
Eventos desastrosos, principalmente as catástrofes naturais, também marcaram a virada e o começo de 2010 e muitos consumidores esperam mensagens positivas das campanhas de marketing. Tente sempre passar uma sensação de segurança e conforto para atender essa necessidade.

7.    Discutindo a relação
As redes sociais já foram mencionadas, agora as use para manter um bom relacionamento com seus clientes. O marketing boca a boca ganha um novo potencial com a internet. Nenhum dos seus consumidores é pequeno demais para receber algum tipo de interação online.

8.    Vídeos e celulares
Aproveite que vivemos na era do Youtube e das mídias móveis para colocar sua marca em vídeos e celulares.

9.    Tenha foco
Ok, a lista já trouxe várias dicas para melhorar suas campanhas de marketing, mas nada disso funcionará sem foco! Defina seu público alvo e suas metas da forma mais precisa possível. É importante fazer isso inicialmente, antes de tentar expandir seu escopo ou pensar em novas campanhas.

10.    Marketing integrado
Use os diferentes meios para atingir seus consumidores nas diversas partes de suas vidas – cada uma adaptada e imaginada para cada um deles. Padronizar as campanhas para todos os veículos pode cansar o público. Mas não deixe de ser consistente e persistente!

Fonte: Papo de Empreendedor

Coca Cola inovou com a primeira campanha promocional

Ninguém questiona nos dias de hoje a importância de diversificar o destino da verba de marketing de uma empresa. Mas há 83 anos, uma companhia saiu na frente: a Coca-Cola. Enquanto a  maioria das empresas investia em divulgação em rádios, revistas e jornais, a fabricante de refrigerantes americana surpreendeu os consumidores nos Estados Unidos com uma promoção inusitada.

De março a agosto de 1927, a Coca-Cola colocou nas principais revistas da época anúncios com as seis principais razões que faziam as pessoas gostarem de seu principal produto. Os consumidores deveriam determinar qual das razões era a mais importante e escrever um parágrafo sobre por que aquela característica contribuía com a popularidade do refrigerante.

As seis razões (Six keys) eram: sabor, sede, pureza, preço (custava um nickel, ou US$ 0,05), socialização e refrescância. A melhor frase levava US$ 10 mil. O prêmio para a segunda colocada era de US$ 5 mil. Terceiro, quarto e quinto colocados recebiam US$ 2,5 mil, US$ 1.000 e US$ 500, respectivamente. Outras dez pessoas embolsaram US$ 100, vinte consumidores receberam US$ 50, duzentos ficaram com US$ 25 e quatrocentos foram presenteados com US$ 10. No total, 635 pessoas dividiram US$ 30 mil, o primeiro prêmio de uma promoção feita por uma empresa do mundo.

Quem conta a história da primeira campanha promocional do mundo é Phil Mooney, arquivista e historiador que trabalha para a Coca-Cola há 30 anos. Leia aqui.

Hoje, são muitas as empresas que realizam promoções para divulgar marcas e conquistar clientes.

E a sua empresa? Já realizou alguma ação do tipo? Como foi? Valeu a pena?

Fonte: Papo de Empreendedor

Marketing da Filantropia – excelente custo / benefício

Nem sempre a estratégia de marketing mais difundida e utilizada é a mais eficiente. Muitas vezes, pagar uma fortuna para estampar o logo da empresa num estádio de futebol ou num comercial de alguns segundos na televisão confere uma visibilidade apenas instantânea e os consumidores acabam esquecendo o nome da empresa em poucos minutos. Dayna Steele, consultora de mídia e antiga dona de uma loja de artigos espaciais, levanta bons casos de marketing que não foram baseados em campanhas publicitárias tradicionais ou exaustivas propagandas – tiveram como mote fazer ações em prol da sociedade.

Com sua antiga loja, The Space Store, Dayna sabia que a publicidade convencional não funcionaria. Era muito cara, dizia ela. Em vez disso, a loja fazia promoções criativas, como sessões de autógrafos com astronautas e sorteios de roupas espaciais. Essas ações custavam muito pouco, se comparadas com a visibilidade que conferiram à marca. Aliás, depois de um tempo, ela convenceu os fornecedores a custearem esses sorteios e atividades, de modo que não tinha mais gastos com isso. “Devolver à sociedade não é apenas a coisa certa a fazer”, escreve Dayna no blog da revista FastCompany, “mas é uma ótima maneira de divulgar sua marca gratuitamente”. Se uma ação ou promoção for chamativa, vai ganhar muito espaço em blogs e tweets pela internet.

A Pepsi americana, por exemplo, vai dar prêmios a pessoas, empresas e ONGs que tiverem ideias de impacto positivo. A partir de fevereiro, a companhia vai colocar dez propostas diferentes em seu site diariamente, e os internautas vão votar em suas preferidas. Quase mil ideias serão contempladas por mês. O custo da iniciativa é muito baixo e a visibilidade do projeto, por abarcar propostas em todas as áreas da sociedade, é enorme.

Outra ação interessante é da Disney, cujo slogan é “Dê um dia e ganhe um Dia da Disney”. No site da empresa, você encontra diversas organizações sociais que participam do programa. A ideia é escolher uma perto de você e trabalhar lá por um dia. Assim que a organização enviar um comprovante de seu trabalho para a Disney, você ganha um dia em um dos parques temáticos da empresa, que pode usufruir ou doar a ums instituição. A iniciativa promove o trabalho voluntário, coloca a pessoa em contato com uma organização (à qual poderá voltar no futuro), e ainda agracia o voluntário com um serviço da própria empresa. E o custo, novamente, é baixo.

É claro que não são todos que podem oferecer um dia no parque de diversões. Mas a relação custo-benefício desse tipo de divulgação, além do ganho na área social para a sociedade, é muito vantajosa. Vale a pena pensar em alternativas viáveis para seu negócio. É uma boa forma de cortar gastos com publicidade, estreitar laços com a comunidade ao redor da empresa, e associar sua marca com atividades de benefício social, uma necessidade crescente para o consumidor atual.

Fonte: Papo de Consumidor

Philip Kotler fala sobre os novos tempos do Marketing

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Alerta vermelho permanente: o pai do Marketing fala sobre como se deve fazer Marketing nos dias de hoje, de crise e de redes sociais

Imagine que todos os médicos fossem atuar nas extremidades de seu mercado. Eles se tornariam, ao mesmo tempo, profissionais de pronto-socorro e de postos de saúde que objetivam a prevenção. É mais ou menos isso que as empresas terão de fazer na nova era do caos.

Trata-se da aposta do “pai” do Marketing Philip Kotler, segundo o qual a partir de agora as empresas terão de instalar um sistema de alerta (prevenção) e resposta rápida (o atendimento de pronto-socorro) que lhes permita desenvolver rapidamente novos cenários quando a economia entrar em queda, o que deve acontecer com frequência, e atuar neles.

Em outras palavras, as empresas precisarão abandonar a sensação de segurança que haviam construído com políticas, estratégias e táticas resultantes de anos de tentativa e erro e aceitar que agora surgiu um ponto de inflexão estratégica gigantesco. Ou mantêm a estratégia e correm os riscos derivados dessa decisão – o novo ambiente pode castigar e, inclusive, levar à ruptura–, ou reconhecem a necessidade de uma nova.

O novo livro de Kotler, Chaotics (escrito em parceria com John A. Caslione e publicado pela Amacom) busca formatar essa nova estratégia, ou, como eles preferem chamá-la, esse sistema de gestão do caos. Em entrevista exclusiva a José Salibi Neto, Kotler repassa os fundamentos desse sistema e quais as especificidades para economias emergentes em geral e para o Brasil em particular. Vale notar que Kotler não entra no mérito sobre se isso é pior ou melhor – é diferente e, por enquanto, inevitável. E exige outra abordagem de enfrentamento pelas empresas.

Minha primeira pergunta não poderia deixar de ser: é verdade que nunca mais voltaremos aos tempos normais?
Philip Kotler: Sabe o que eu ando dizendo aos presidentes de empresas? Que eles precisam ter um telefone perto de suas camas à noite no caso de uma grande ameaça ou grande oportunidade surgir, exigindo sua atenção imediata. Companhias mundiais hoje operam 24 horas, sete dias por semana, e o CEO simplesmente precisa estar disponível. Conheço casos da Unilever e da Bear Sterns nos quais o fato de os CEOs não estarem acessíveis quando necessário prejudicou os negócios.

Então, a resposta para você é: nunca mais voltaremos à idade de ouro da normalidade. John Caslione e eu achamos que os líderes empresariais precisam compreender isso de uma vez por todas. Fenômenos como globalização e digitalização introduziram uma nova dimensão de velocidade e interdependência em nossas vidas. Não há retorno possível.

Isso já vem sendo falado há algum tempo no mundo empresarial, mas, pelo que eu depreendo do que o sr. diz, fala-se principalmente da boca para fora…
Philip Kotler: Sim, isso foi articulado há alguns anos por Andy Grove, CEO da Intel, em seu livro Só os Paranoicos Sobrevivem. Ele dizia que uma empresa deve observar a frente, os lados e os fundos, porque os golpes vêm de todos os lados, e esse é, de fato, o princípio básico para as empresas se armarem melhor. O que nós fizemos foi aprofundá-lo e detalhá-lo na prática e com os pontos de vista do Marketing e da estratégia.

Em vez de confiar numa business intelligence casual, as empresas devem construir um amplo sistema de alerta, que lhes permita observar a frente, os lados e os fundos. Em vez de falar superficialmente sobre planejamento para contingências, devem fazer planejamento de cenários. Em vez de estabelecer um orçamento fixo para cada departamento, devem definir orçamento variável.

Os departamentos precisam saber com antecedência o que cortar se o mercado submergir e o que aumentar se as oportunidades de repente explodirem. Nosso sistema de gestão do caos [chaotics management system] apresenta um retrato da empresa do século 21 muito atento ao conjunto pronto de respostas a diferentes surpresas, choques e oportunidades que podem surgir.

O sr. pode nos dizer se há aspectos específicos para empresas de países emergentes?
Philip Kotler: Acredito piamente que o sistema de gestão do caos se aplica a todas as empresas de todos os países. Mas, se alguns países são mais sujeitos a choques do que outros, e isso pode descrever alguns países emergentes, é maior ainda a necessidade de nosso sistema de gestão do caos.

Em um momento em que as economias emergentes ganham os holofotes e que a projeção dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) parece cada vez maior, esse sistema de gestão funciona apenas para o Marketing e a estratégia de empresas ou também para o Marketing e a estratégia de países?
Philip Kotler: Publiquei um livro há alguns anos sobre o Marketing das nações. Os princípios básicos de construir uma economia e uma sociedade fortes permanecem os mesmos ali descritos, mas muitos ajustes são necessários devido ao aumento da turbulência que todos os países agora estão vivenciando e também ao aumento de interdependência – todo país tem de exportar para que possa ganhar o suficiente para importar bens que são mais baratos em outros lugares. Além disso, as cadeias de fornecimento estão ficando mais longas; qualquer interrupção do fornecimento de um país tem ramificações em outros países, o que gera uma “fragilidade interconectável”.

Não é possível ao Brasil voltar à autonomia que tinha nos anos 1960. O Brasil tem de saber produzir valor continuamente e saber comprar e vender em uma base de valor em qualquer lugar do mundo e, para isso, ele e todos os outros países precisam estar mais alertas aos fatos mundiais e à constante mudança que vem acontecendo. Com as devidas adaptações, nosso sistema de gestão do caos pode ajudá-los nisso, sim.

O sr. vê a inovação constante como essencial no sistema de gestão do caos? Ou é mais uma questão de disciplina? Que lado – inovação ou disciplina – as empresas em alerta vermelho permanente devem priorizar?
Philip Kotler: Sempre achei que os gestores deveriam considerar três períodos de tempo ao abordar o impacto de qualquer decisão de vulto: agora; daqui a dois a três anos; de cinco a dez anos. E continuo acreditando que isso é válido nesta era do caos. Quando a administração só considera a disciplina de eficiência, é pensando principalmente em hoje e tentando arrancar o maior lucro do período corrente. Nunca pensei que esse foco no agora fosse suficiente.

Por exemplo, disciplina, no pensamento de [Peter] Drucker, quer dizer fazer certo as coisas (eficiência) mais do que fazer as coisas certas (eficácia). Só que líderes precisam ser eficazes, sobretudo de agora em diante. Então, a inovação é a prioridade. Tão absolutamente prioritária que sou a favor de construir o pensamento inovador em toda a organização.

Então, mudo minha pergunta: desses três horizontes de tempo, qual é o prioritário no sistema de gestão do caos?
Philip Kotler: Nenhuma empresa deve começar seu pensamento com o que fazer em relação à recessão atual. O ponto de partida é onde ela quer estar daqui a cinco ou 10 anos. Que clientes ou problemas sociais quer resolver? Ao trabalhar de trás para frente, a empresa compreenderá qual o melhor mix de disciplina e inovação para seu caso.

No caos, o sr. recomenda investir em oportunidades, manter as pessoas-chave e não deixar de preservar as áreas que os consumidores mais valorizam. Esse é o tipo de pensamento que deve prevalecer numa empresa?
Philip Kotler: Sim, de agora em diante as empresas precisam pensar proativamente sempre, não só durante uma queda. Uma sabedoria velha, mas sempre atual é: um lado de uma crise é a vulnerabilidade; o outro é a oportunidade. As empresas precisam fazer regularmente uma análise SWOT para checar suas oportunidades, ameaças, fraquezas e forças. Isso não significa que as mesmas táticas de ação são garantidas tanto em tempos bons como ruins, mas pede uma mentalidade sempre proativa.

Que oportunidades o sr. está identificando do outro lado dessa crise especificamente?
Philip Kotler: Em geral, a oportunidade gira em torno de avançar sobre os concorrentes, adquirindo seus ativos ou seus talentos. Claro, isso é mais factível para empresas fortes financeira e competitivamente. O avanço pode ser também roubar mercado dos concorrentes – nessa seara, historicamente, companhias orientadas a preço como McDonald’s e Walmart são as que se dão bem durante recessões.

Estamos vendo um grande crescimento das dollar stores nos Estados Unidos, lojas onde as pessoas podem economizar; marcas mais baratas também vêm se destacando. Mas não creio que esse seja o único tipo de oportunidade de ganhar mercado. As empresas precisam descobrir respostas criativas para os consumidores que estão hesitando em comprar porque acham que os preços vão cair ainda mais ou porque têm medo de perder o emprego.

A Hyundai recentemente se ofereceu para receber de volta seu carro novo se o proprietário perdesse o emprego. Outra empresa se ofereceu para devolver a diferença se o preço caísse mais tarde, a fim de aumentar a vontade de comprar agora.

É possível resumir a essência do enfrentamento desta nova era do caos?
Philip Kotler: Eu diria que acelerar mudanças, elevar os níveis de complexidade nos negócios e mensurar os riscos e a incerteza são a matéria-prima do Marketing e de sua nova realidade. Para se defender, as companhias devem aumentar sua capacidade de adaptação em todas as instâncias, especialmente nas áreas de Marketing e vendas. Outro ponto fundamental é que são exigidos, no Marketing em particular, grandes profissionais que consigam esperar o inesperado e que, em tempos caóticos, possam reinventar os modelos de negócio e as estratégias de Marketing, para reagir rápido aos fatos.

O sr. destacou as empresas orientadas a preço baixo em épocas recessivas. Como a recessão será sempre ou iminente ou instalada, preço virará a eterna prioridade do consumidor?
Philip Kotler: Recessões têm o efeito de construir “maior consciência” nos consumidores. Estes passam a se perguntar: “Por que precisamos de certos itens que comprávamos à vontade antes da recessão? A comida em um restaurante caro é tão especial assim? A bolsa de grife é muito melhor que as outras?”. Alguns começam a pensar “menos é mais” em vez de morrer de trabalhar e ter pouco tempo de lazer. Se isso se tornar uma visão difundida, mudará profundamente as premissas e estratégias do Marketing convencional. Embora, quando a economia começa a melhorar, a restrição diminua, não devemos esquecer que, talvez paradoxalmente, o pensamento ambientalista tende a permanecer em alta nestes tempos de caos.  Não que o consumidor vá se envolver com a grande questão de como controlar a mudança climática, mas, em seu comportamento doméstico, buscará maneiras “menos é mais” de ajudar o meio ambiente, apagando as luzes etc.

A neurociência vem fazendo grandes revelações sobre o consumidor. Ela vai ajudar as empresas a enfrentar o caos?
Philip Kotler: Graças à neurociência, estamos, enfim, desistindo do velho modelo propagado pelos economistas de que os consumidores calculam racionalmente os custos e benefícios de cada compra e escolhem a oferta que maximize a relação custo-benefício. Sabemos que as emoções e o inconsciente desempenham grande papel na escolha da marca. O trabalho de Gerald Zaltman e experiências de economistas comportamentais estão revelando muita coisa sobre a escolha do consumidor. Algumas descobertas são especialmente surpreendentes para mim, como quando Martin Lindstrom, autor de Buy-ology, conta que os pôsteres que trazem os dizeres “Cigarro mata” na verdade abrem o apetite dos fumantes para acender um cigarro. O problema da neurociência é que em geral ainda é muito difícil interpretar, explicar ou confiar nela.

O sr. pode nos dar exemplos de empresas que vêm lidando bem com a crise?
Philip Kotler: Para mim, são as que não só reduzem custos, mas também agregam valor à vida de seus consumidores. O Walmart contratou 33 mil novos colaboradores para incrementar o serviço nas lojas e melhorar a experiência dos consumidores ali, facilitando a movimentação naquelas lojas enormes. A e.l.f. Cosmetics se esforçou para oferecer cosméticos de qualidade a preços baixos e torná-los disponíveis para todos, e está usando as redes sociais para construir uma comunidade de beleza na qual as consumidoras possam trocar informações sobre suas necessidades e experiências.

A Half Price Books é uma varejista de livros de desconto que tem vendido por menos da metade do preço dos editores. Eles estão aumentando as lojas e vêm experimentando o crescimento nas mesmas lojas há vários meses, vendendo livros de autoajuda, inspiracionais, de treinamento e sobre novas carreiras. A Southwest Airlines, em vez de aumentar as tarifas de bagagem e refeições, se manteve como uma companhia aérea que não cobra taxas e obteve êxito em manter suas vendas e construir confiança com o público que viaja. Enquanto isso, outras companhias aéreas estão acrescentando taxas por excesso de peso nas bagagens, refeições etc. para manter altos seus lucros. Mas a Southwest Airlines está usando isso como oportunidade para divulgar o slogan “Sem taxas”.

Uma rede hoteleira mexicana demonstrou criatividade ao dizer que qualquer pessoa que pudesse ter contraído gripe suína em seus dez hotéis teria três diárias grátis nos próximos três anos se houvesse evidência de que tinham se contaminado em um hotel da rede. Em todos os países podem ser encontradas empresas que estão transformando a crise em oportunidade.

Qual seria o papel da mídia digital no sistema de gestão do caos de companhias de todos os tipos? Ela torna mais fácil gerenciar essa situação?
Philip Kotler: A mídia digital tem dois papéis nessa história. Ela exacerbou a disponibilidade e a velocidade de transmissão de notícias tanto para o bem como para o mal. Para o bem, considere, de um lado, a rapidez com que a gripe suína se alastrou e, de outro, a rapidez com que as informações sobre ela circularam e com que os países tomaram precauções para proteger sua população. O aspecto nocivo é que as pessoas precisam lidar com a informação com cuidado. É mais fácil do que nunca circular desinformação e rumores que podem ferir ou iludir pessoas e empresas. Vivemos em uma era de muita informação e as empresas devem alocar recursos para detectar e gerenciar os fluxos dela. E, para isso, devem usar a própria mídia em sua função “para o bem”, nesse estado que eu denomino de “alerta vermelho permanente”.

As mídias tradicionais – jornais na linha de frente – vêm tendo sua morte anunciada todos os dias. O que o sr. pensa a esse respeito?
Philip Kotler: Mídias raramente morrem. Elas geralmente encolhem em nichos nos quais podem manter bom desempenho. A televisão não matou o rádio ou o cinema. Os computadores não mataram a televisão. Com relação à crise dos jornais, sei que é difícil manter um jornal funcionando com seu tamanho atual quando a receita de anúncios está se transferindo para a internet – e as pessoas jovens não recorrem aos jornais para obter notícias. Os bons velhos tempos dos jornais se foram de fato. Mas os jornais podem manter público tendo apelo mais especializado e indo para a internet. Não acho que os anunciantes consigam atingir seus objetivos se migrarem totalmente para a nova mídia digital. A maioria das empresas vai ganhar se usar um mix de novas e velhas mídias, cada uma fazendo o que faz melhor e sendo medida.

Qual é o papel das redes sociais para as empresas neste novo mundo caótico?
Philip Kotler: Redes sociais como Facebook, MySpace, Twitter e outras desafiam nossas práticas de Marketing tradicionais. Primeiro, porque as pessoas passam mais tempo conversando com amigos e família em seus computadores e telefones e, consequentemente, menos tempo vendo TV, cujos comerciais costumavam ser a maior fonte de influência publicitária. Hoje a porcentagem de mensagens sobre marcas vindas de fontes comerciais em contraposição a fontes sociais está diminuindo rapidamente. Então, cabe aos profissionais de Marketing fazer duas coisas. Uma é monitorar as conversas para descobrir se sua marca é tema de discussão e, se for, quão favorável ou desfavorável é a conversa. Está cada vez mais difícil para uma empresa hoje oferecer má qualidade e pouco valor sem que o boca a boca espalhe palavras venenosas sobre sua marca.

As companhias estão cada vez mais em um aquário e não têm escolha além de produzir boa qualidade em troca de dinheiro. Segundo, as empresas precisam descobrir melhores maneiras de identificar potenciais clientes com a mídia social. Seria maravilhoso se uma empresa como a Wilson pudesse comprar uma lista de todos os membros do Facebook que tivessem o tênis como hobby. Infelizmente o Facebook não vai vender esse tipo de informação, porque isso afastaria seus membros. O mínimo que a empresa pode fazer é inserir e circular informações sobre si mesma em mídias sociais como blogs, podcasts e outras. O Twitter, que está mostrando rápido crescimento, é particularmente promissor por poder carregar mensagens curtas sobre uma marca para um número enorme de pessoas em seus computadores ou celulares.

É fácil construir marcas fortes em momentos como este? Como o sr. avalia as chances para marcas de países emergentes em especial?
Philip Kotler: Uma crise econômica é um momento em que os consumidores estão buscando custos mais baixos sem sacrificar a qualidade. Os países emergentes têm a vantagem dos custos mais baixos. A questão é se os produtores locais de marcas fortes em países emergentes podem lançá-las com sucesso em países economicamente avançados.

Minha resposta para isso é: sim, ainda mais com a ajuda das mídias sociais de que acabamos de falar. Estou vendo um fabricante mexicano de produtos de panificação vendendo bem sua marca no Texas e em outros estados do sul dos Estados Unidos. Até porque os Estados Unidos têm vários grupos de imigrantes, que servem de primeiro alvo a ser mirado por uma marca emergente, ao qual se seguirão outros alvos.

Como ficarão as marcas durante os momentos de crise da era do caos?
Philip Kotler: Uma crise econômica produz um momento de “destruição criadora”. Os fracos afundam. E isso faz sentido porque uma das maiores causas de recessão é o excesso de capacidade. Temos capacidade demais para produzir automóveis, eletrodomésticos, eletrônicos e outros itens e isso derruba os preços. É necessária a racionalização do setor. O que está sendo destruído é o excesso de capacidade e os destruidores são os que se saem melhor em seu setor.

Então, na era do caos, a destruição criadora será bem mais frequente e as empresas devem estar preparadas elas mesmas para promovê-la e, ao mesmo tempo, devem investir em novas marcas. Há a imensa oportunidade do Marketing social, por exemplo. Acabei de publicar, com Nancy Lee, um novo livro, Up and Out of Poverty: The Social Marketing Solution, no qual oferecemos uma nova abordagem para ajudar pessoas pobres a sair da armadilha da pobreza por meio de empresas praticando Marketing social.

O sr. pode explicar isso melhor?
Philip Kotler: Paradoxalmente, o problema do “excesso de capacidade” é, em outra parte do mundo, um problema de “consumo de menos”. Há 4 bilhões de pessoas pobres no mundo que adorariam ter uma bicicleta, uma moto ou um carro, ou um computador ou uma TV. O problema é que elas não têm dinheiro. Seriam o melhor mercado que alguém poderia desejar se simplesmente tivessem dinheiro para comprar bens.

Descrevemos mais de uma dúzia de casos nos quais o Marketing social tem sido usado para aumentar a adoção de telas mosquiteiras para proteger crianças contra mosquitos e malária enquanto dormem, nos quais o Marketing de camisinhas reduziu o tamanho de famílias e preveniu a difusão do HIV e muitos outros exemplos. Recentemente, 700 profissionais de Marketing social se encontraram na Primeira Conferência Mundial de Marketing Social, em Brighton, Inglaterra, para trocar experiências e compartilhar ferramentas e tecnologias para combater as principais causas da pobreza.

E como deve ser o Marketing para investidores, já que o dinheiro é uma questão-chave em tempos instáveis?
Philip Kotler: Muito bem lembrado. Caso a empresa não tenha habilidade de Marketing para levantar dinheiro nestes tempos em que ficarão mais freqüentes a escassez de fundos e o alto risco, é particularmente importante que a desenvolva. Ela deve usar um Marketing cada vez mais criativo para convencer os investidores a apostar em suas propostas de negócios, já que hoje há abundância de oportunidades para investir o dinheiro e muitos concorrentes dispostos a pagar um retorno realmente alto. Toda empresa deve pensar em montar uma linha de Marketing para trabalhar essa habilidade.

Com o aumento da tecnologia, o que o sr. acha que vai acontecer com mercados como o de alimentos, muito importante no Brasil, por exemplo?
Philip Kotler: Virá mais crescimento econômico dos avanços tecnológicos, como robótica, nanotecnologia e biotecnologia, do que de setores estáveis. Mas os mercados de alimentos e de outros itens básicos vão permanecer fortes e relativamente estáveis. Sempre haverá nichos de crescimento nesses setores, assim como nichos em declínio.

Fonte: Mundo do Marketing.

Lei antitelemarketing devolve privacidade ao consumidor

 

Fonte: IDG Now.
 
São Paulo – Diretor do Procon-SP explica o que as pessoas ganham e perdem e o que fazer para não receber mais ligações indesejadas.
A nova lei antitelemarketing que entrou em vigor no começo do mês em São Paulo já conta com mais de 100 mil pessoas cadastradas, segundo dados dos Procon-SP. A legislação permite que as pessoas decidam se querem ou não receber ofertas de empresas por telefone.

Na avaliação de Carlos Coscarelli, diretor do Procon-SP, ela representa uma vitória do consumidor, que vai poder ter de volta sua privacidade. “É devolvido a ele, primeiro, a privacidade, que invadida pelo telemarketing a qualquer momento”, disse.

Ele explicou que todos os moradores do Estado de São Paulo podem pedir o bloqueio – que é feito pela internet. Quem não tem computador em casa, “pode se dirigir a uma unidade do Procon e pedir para um atendente fazer o cadastro”. “O usuário também recebe uma senha para que ele possa modificar suas informações posteriormente.”

Coscarelli disse ainda que as pessoas têm liberdade em relação à lei e podem pedir para desbloquear o telefone ou então permitir que apenas algumas empresas façam ligações com ofertas. Organizações filantrópicas, porém, não estão impedidas de fazer ligações.

O diretor do Procon não acredita que as empresas de telemarketing terão prejuízo com a lei. “Vai mudar a forma de trabalho. Hoje eles fazem centenas de ligações para fechar um negócio. Agora, eles vão trabalhar com pessoas mais interessadas.”

Internet e comunicação viram armas eficazes para crescer durante crise

Fonte: jornal Folha de S. Paulo deste domingo, 15 de março

Para aumentar as vendas on-line, que representam 15% do faturamento, o coordenador de marketing da Santana Eletrônicos, Daniel Alexis, pretende criar “podcasts” e vídeos

Ao decidir que custos cortar para diminuir despesas, um item deve ser avaliado antes de ser excluído: o marketing.

Na batalha para aumentar o tíquete médio e a carteira de clientes, reduzir a zero a divulgação de marca e de produtos pode dar à concorrência mais espaço para ganhar mercado e alavancar vendas.
Para quem não pode gastar muito, usar a internet e suas redes sociais é uma tática eficaz para se manter em evidência, segundo especialistas. “A tendência são as campanhas digitais”, esclarece Roberto Calderón, diretor de Novos Negócios da ABCZ Comunicação.
Pela internet, é possível alcançar 24,5 milhões de usuários ativos residenciais no Brasil, segundo o Ibope Nielsen Online. O número, coletado em janeiro, permaneceu estável em relação a dezembro e cresceu 16% na comparação com o mesmo mês de 2008. Pessoas com mais de 16 anos e acesso à web totalizam 43,1 milhões.
A publicidade on-line é a terceira que mais impacta a decisão de compra do brasileiro que tem acesso à internet, segundo levantamento feito pela consultoria Deloitte e divulgado com exclusividade para a Folha. Fica atrás da televisão (75%) e de revistas (57%).
Divulgar produtos e serviços na rede influenciou a decisão de compra de 45% dos 1.022 entrevistados (com idades de 14 a 75 anos) em dezembro do ano passado. O percentual aumenta para 52% entre os que têm de 20 a 25 anos.
A internet é o meio mais recomendado para micro e pequenas empresas, conforme pondera Wlamir Bello, consultor do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).
“Essas firmas não precisam ter estratégia de massa. Isso é desperdício de verba e de estratégia de marketing”, sentencia.
Em meios de grande alcance, como a TV, corre-se o risco de gerar excesso de demanda sem ter condição de atendê-la.

Mais barato
Sites e blogs simples não exigem grande investimento. Soluções caseiras, por exemplo, saem a custo zero para a firma.
“Basta fazer o que chamamos de “landing page”, uma página simples”, destaca Leandro Kenski, CEO da Media Factory.
Contudo, os sites ou as páginas sem muitos recursos são apenas um meio, e não a solução, assinala Bello. “É preciso conduzir o consumidor até lá.”
Para isso, há alternativas. Uma das principais chama-se link patrocinado -no qual a empresa aparece em posições de destaque em sistemas de busca, como Google e Yahoo!.
“O investimento inicial fica entre R$ 100 e R$ 300”, afirma Mirko Mayeroff, diretor de Novos Negócios da WEBTraffic.
Basta ao empresário selecionar palavras relacionadas a seus produtos e serviços, orienta. “Quanto melhor a escolha, mais efetivo o resultado.”

Empresário deve focar fidelização

“O marketing é elementar na crise”, ressalta o consultor Marcelo Ortega, também autor do livro “Sucesso em Vendas”.
O especialista não recrimina a redução de gastos nessa área, mas recomenda que o empresário faça as contas e não invista mais do que 20% do faturamento em marketing.
Para Wlamir Bello, do Sebrae, é importante ter estratégias para anunciar e captar novos clientes.
No entanto, há um fator que muitos empresários desconsideram: o marketing de relacionamento.
“Manter contato com clientes é mais barato do que conquistar novos”, destaca, acrescentando que cadastrar consumidores e suas demandas ainda é uma prática pouco recorrente entre as firmas.

Ação diferenciada fortalece marca
Redes de relacionamento e estratégias combinadas são ferramentas para captar clientes

Ter uma página na internet não é o único recurso dos empresários para divulgar marca e produtos. Hoje, uma teia de ações pode ser feita na web -com custo próximo de zero- e trazer retorno financeiro significativo para a empresa.
Uma delas, que tem ganhado força recentemente, é a combinação de site, blog, YouTube e redes sociais, como Orkut, Facebook e Twitter (ferramenta que permite aos usuários enviar atualizações em textos de, no máximo, 140 caracteres).
Basta eleger um tema no qual a empresa tem conhecimento e investir em atualizações constantes, resume o sócio-proprietário da agência de marketing Espalhe Gustavo Fortes, 39.
Foi o que ele fez em 2003. Criou comunidade no Orkut e transformou o site em blog. Em 2007, aderiu ao Twitter. Tudo com o mesmo foco: trazer novidades sobre marketing de guerrilha, estratégias diferenciadas para que empresas ganhem mais visibilidade frente a concorrentes grandes.
O tempo consumido por semana, afirma o empresário, não passa de duas horas. Valem atualizações sobre o tema, relacionadas ou não à agência.
Virou referência na web, diz. “Hoje, somos convidados para até três palestras por mês.”
Segundo ele, não há segredo. “Qualquer pessoa pode fazer isso: um padeiro pode colocar receitas na web”, exemplifica.
O presidente do IAB Brasil (Interactive Advertising Bureau) e do Yahoo! para a América Latina, Guilherme Ribenboim, porém, orienta: “É preciso ter estratégia definida. Entrar na internet “mais ou menos” compromete a imagem”.

Combinação
Se o empresário estiver disposto a investir mais para fortalecer produtos ou serviços, vale também combinar ações na internet que levem o consumidor fisicamente à empresa.
O Hotel Fazenda Fonte Colina Verde, no interior de São Paulo, levou para a web no fim do ano passado um tradicional entretenimento do negócio: uma espécie de caça ao tesouro para crianças, na qual seriam distribuídos toca-MP3.
Elas tinham de encontrar pistas na rede, mas só poderiam chegar aos presentes se estivessem hospedadas.
“Investimos R$ 10 mil na ação e, com ela, tivemos 15% a mais de clientes”, diz Lisia Peres, 48, diretora operacional.

O QUE FAZER

Trace estratégia com ferramentas a serem usadas

Mapeie concorrentes -vale pesquisar até a estratégia de firmas estrangeiras

Atualize blogs e Twitter ao menos uma vez ao dia

Aposte numa linguagem leve e descontraída

Seja relevante: não crie comentários e “posts” que não despertem atenção

Estabeleça prazos para responder a internautas

Analise o retorno das iniciativas -como quantos consumidores foram direcionados para a empresa por meio dessas ferramentas

Caso verifique que a ação não tem atingido o resultado, reformate-a

Estratégias precisam se diversificar

Manter uma página na internet não significa que o empresário deva abandonar estratégias de divulgação fora do ambiente virtual.
“Não se deve apostar num único caminho, nem mesmo fazer uma ação isolada uma única vez”, recomenda o consultor Marcelo Ortega.
Em 2008, enquanto mantinha uma vitrine na web focada em atacadistas, a diretora de marketing da Senso Shoes, Carolina Danielian, 27, investiu em outra.
Contratou cinco modelos, vestiu-as com calçados e bolsas produzidos pela firma e pediu que passeassem na frente de duas lojas com sacolas de compras com o logotipo da marca -na hora do almoço e no fim da tarde.
Na ação, que durou uma semana, Danielian investiu R$ 10 mil. “As vendas aumentaram 47%”, comemora.