Dança das cadeiras nas redes Record e SBT é mais do que parece…

O que está em jogo ao trazer Roberto Justus para o SBT, sob minha opinião, está, claramente, a questão da sucessão na emissora. Há muito tempo, quando Gugu tinha sido contratado pela Rede Globo, Sílvio Santos pegou o avião e foi diretamente à TV carioca, esperou pacientemente ser atendido e trouxe o apresentador de volta, a quem chamou de “continuidade do SBT”.

Contudo, o tempo passou e Gugu, em sua busca frenética por audiência, corrompeu as regras do bom jornalismo e inventou uma entrevista totalmente absurda, falsa, mentirosa. Forjou entrevistar membros de uma facção criminosa que ameaçava sequestrar formadores de opinião, apresentadores de TV, entre outros vips. Era tudo lorota! Foi desmascarado na hora. Teve chance de se recuperar, mas aí foi a sua caída derradeira. O “sofá da Hebe” seria a salvação, mas ele não soube aproveitar…

No dia seguinte, em cadeia nacional, pelo prestigiado programa de Hebe Camargo, o sofá da apresentadora era todo seu para dizer, exatamente, o que aconteceu. Ele vivia uma série de CRISE DE IMAGEM e, numa hora destas, SOMENTE A VERDADE deve ser dita, mesmo que for preciso “cortar na própria carne”. Mas, em vez de assumir para si a molecagem e a falta de responsabilidade por aquele gave ato (a vida de pessoas estava envolvida, entre outros agravantes!), disse que estava gripado, que chegara mais tarde à emissora e que a culpa toda era de sua produção. Balela e o Brasil não engoliu. Em vez de chamar a si a verdadeira culpa, conseguiu piorar, e muito, a sua imagem. Nunca mais se recuperou. Perdeu credibilidade, audiência, anunciantes, verba… e nunca mais ganhou do Faustão em audiência. Mudou de horário e foi para a mesma hora do Fantástico (Rede Globo), já que seu público era outro e não precisaria mais passar pela humilhação da derrota semanal a cada domingo. Não obstante, mais que isso, o “patrão” Silvio Santos perdera a confiança.

E eis que surge um empresário/publicitário/apresentador/cantor (nos três primeiros itens, sob meu prisma, excelente; mas como cantor, deixa, e muito, a desejar) sério, competente, com vontade e com ética (e, como Senor Abravanel – Silvio Santos -, de origem judaica). Nada mais certo do que depositar a ele a confiança de levar à frente o SBT – são muitas as afinidades. Este ponto é um dos mais importantes na “dança das cadeiras” ocorrida nesta semana entre as duas emissoras.

Leia, abaixo, notícia completa a respeito publicada no jornal Folha de S. Paulo deste domingo, 28 de julho.

Quem quer ser um milionário?

Leonardo Wen/Folha Imagem
justus
 

O apresentador Roberto Justus, na agência de publicidade
em que trabalha, em São Paulo

Depois do sucesso em “O Aprendiz”, Roberto Justus deixa a Record e vai para o SBT; transferência marca agitação das TVs em busca de nomes estrelados

DANIEL CASTRO
COLUNISTA DA FOLHA

Fazia tempo que a TV brasileira não passava por dias tão agitados como nas últimas três semanas. A proposta da Record para tirar Gugu Liberato do SBT provocou uma reação em cadeia. Em resposta ao ataque, Silvio Santos passou a assediar profissionais da concorrente.
A disputa teve capítulos decisivos na semana passada. Na quinta, a Record anunciou a aquisição do passe de Gugu Liberato, que receberá R$ 288 milhões apenas em salários nos oito anos de contrato. Na véspera, o SBT já havia finalizado as negociações com Eliana.
Mas a troca de emissora mais surpreendente foi a de Roberto Justus, 54. Alçado à condição de apresentador pela Record, em 2004, o presidente e sócio do Grupo Newcomm (que comanda a maior agência de publicidade do país, a Young & Rubicam) é o mais novo empregado (ele prefere ser chamado de sócio) de Silvio Santos.
Especula-se que Justus ganhará cerca de R$ 1 milhão por mês. “Estão chutando. A única coisa que revelo é que fiz com ele [Silvio Santos] uma sociedade nos resultados do meu programa”, diz o ex-apresentador do reality show “O Aprendiz”.
As negociações entre Justus e SBT duraram só três dias. Começaram na quinta, 18, e foram fechadas na sexta, 19. O contrato de quatro anos, parcialmente redigido pelo próprio publicitário, foi assinado no sábado, 20. Consultada, a Record não cobriu a proposta do SBT.
“O Silvio me ligou e fez uma pergunta: “Você tem contrato com a Record?” Eu falei: “Não'”, conta. Justus revela uma ponta de mágoa da Record. “A Record cometeu um erro, na minha opinião. Como é que você tem um apresentador que está com você há seis anos, produzindo o programa de maior rentabilidade da emissora, com as audiências de dois dígitos, com o público AB que trouxe para a emissora, e você não amarra esse cara a longo prazo, não faz um contrato com ele?”, diz, referindo-se a si mesmo.
A Record fazia um contrato para cada edição de “O Aprendiz”. O último vence na terça.
“A Globo amarra atores e atrizes sem colocar no ar para não dar chance de perdê-los. É natural isso, construir relações de longo prazo com pessoas que te dão retorno. Não é possível! Eles não amarraram!”, diz.
Além disso, o ego de Justus foi seduzido por Silvio Santos. “Quando o Silvio me chamou na casa dele, ele falou: “Você é uma das poucas pessoas que conheci que tem um perfil parecido com o meu. Você tem talento de apresentador e é um grande empresário'”, afirma.
Justus não tem dúvidas de que Silvio fala a verdade. “Eu comecei bem, mas terminei muito melhor”, diz, sobre sua atuação em “O Aprendiz”.
Conta que, caso continuasse na Record, faria apenas mais uma edição do programa. Estava na hora de descolar sua imagem da do reality, avalia.

Dois programas
A partir do final de agosto ou início de setembro, Justus ocupará a faixa das 23h à 0h30 das quartas do SBT. O contrato estipula que o horário não poderá mudar sem seu consentimento.
A ideia do apresentador é fazer dois programas por ano, um em cada semestre. Diz que os formatos ainda não estão definidos, que há uma equipe trabalhando nisso e que só tem dormido quatro horas por noite, de tanto pensar no assunto. Mas solta algumas pistas.
“Não precisa ser um quiz show, mas um game, uma coisa que tenha dinâmica, que dê prêmios grandes, que as pessoas falem “Nossa, o Justus tornou a pessoa milionária!”. Isso combina comigo”, abre.
Justus nega que sua ida para o SBT seja um primeiro passo para, mais para a frente, comprar parte da emissora. “Nem sonhando eu tenho recursos para comprar o SBT”. Diz que, por enquanto, “está mais interessado na carreira de apresentador”, mas não nega que pode ir além. “Que eu tenho interesse de crescer nessa televisão, de fazer outras coisas, eu tenho.”

Sem demissão
Filho de imigrantes húngaros, Justus nasceu e cresceu em São Paulo. Seu pai era empreiteiro. Ele nunca foi empregado. Em 1981, fundou sua primeira agência de publicidade.
Além de apresentador, vem investindo na carreira de cantor. Há um ano, lançou um CD de covers, que vendeu 16 mil cópias. Empolgado, mostra ao repórter DVD em que, ao lado de Agnaldo Rayol, imita Frank Sinatra. “Nunca imaginei que conseguiria isso”, suspira.

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Ainda sobre o Twitter… que, agora, conquista a TV também!

Fonte: jornal Folha de S. Paulo

Fenômeno da internet, Twitter conquista a TV

Apresentadores brasileiros usam o microblog para se aproximar da audiência 

Oprah Winfrey ajudou a alavancar popularidade do site que agora é usado pelas TVs para expandir conteúdo e dialogar com o público 

O apresentador da MTV Marcos Mion queria poder ter mandado um recado para Sílvio Santos falar na TV, ao vivo, nos anos 1980. Não poderia, já que naquela época não havia twitter, sistema de troca de mensagens supercurtas que cresceu dez vezes em um ano.
E quem imagina Silvio e seu microfone na lapela usando o microblog? A “missão” ficou a cargo de sua filha Patrícia Abravanel que usa o Twitter para cutucar a concorrência ou falar sobre a novela “Véu de Noiva”.
A lista de personalidades da TV brasileira que aderiu ao Twitter é variada. Também estão lá a superpop Luciana Gimenez e o tradicional “Roda Viva”. Assim como o “Descarga”, de Mion, que exibe mensagens enviadas pelo site.
“Sempre me mandam coisas engraçadas”, diz Mion. Ele considera o serviço uma forma de fidelizar a audiência. “Imagina, quando eu era moleque, ouvir o Sílvio falar: “olha o que o Mion mandou”. Agora eles [público] podem”.
“É a TV multiplataforma. Eu acompanhei a final da NBA [há duas semanas] pela televisão e vi os comentários do Shaquille O’Neal pelo Twitter. Você tem ideia do que é isso?”, conta.
O astro do basquete é uma das pessoas mais seguidas no serviço. Entre os brasileiros, as contas pessoais dos apresentadores do “CQC”, o perfil do “Fantástico”, o técnico do Corinthians Mano Menezes e Marcos Mion estão entre os mais populares.
Luciano Huck entrou há 20 dias e já está nesse rol. Ele, que nunca teve “MySpace, Orkut, nem nada” acha o Twitter eficiente, mas minimiza o retorno em audiência proporcionado pelo microblog -e nem pretende misturar as coisas.
“O legal é falar como pessoa física, dar links de músicas, dicas”, diz. No entanto, ele já falou sobre os bastidores de seu programa no site.

Século 21
Foi uma megacelebridade da televisão norte-americana a responsável por fazer o Twitter deixar de ser um site adotado por usuários intensivos de internet e se tornar conhecido por pessoas comuns. Em abril, a apresentadora Oprah Winfrey disse “se sentir no século 21” por adotar o site.
No dia seguinte, 37% de todos os acessos era de novos visitantes, de acordo com a empresa de pesquisa Hitwise.
Antes da entrada de Oprah no Twitter, o “Roda Viva” já experimentava o recurso. “Usar essas ferramentas interativas no “Roda” é uma forma de dialogar com uma audiência muito importante para a “Cultura”, os jovens”, diz Ricardo Mucci, coordenador de novas mídias da emissora.
O programa de entrevistas já convidou twitteiros -como são chamadas as pessoas que mandam mensagens pelo serviço- para participar da gravação do programa. “Eles falam sobre o clima da gravação, sobre as reações do entrevistado.”
“É uma forma de atrair e tornar fiel uma audiência nova para o programa. Eles também conseguem assistir ao vivo pela internet e até mandar perguntas pela página do “Roda”, diz.

Sucesso do Twitter surpreende criadores

Fonte: jornal Folha de S. Paulo de 3 de junho de 2009

twitter

Avessos a badalações, Biz Stone e Evan Williams relembram trajetória do microblog que, em fevereiro, cresceu a uma taxa de 1.382%

“Ninguém sabe como somos fisicamente”, disse Biz Stone, ex-aluno universitário de 35 anos que abandonou o curso antes de sua conclusão, que se veste como um garoto de colégio, incluindo uma velha camiseta preta, uma calça jeans e um par de tênis de cano longo, e que é um dos três cofundadores do Twitter. “Por isso ninguém nos trata como celebridades.”
Evan Williams, 37, outro fundador, parecia surpreso com o sucesso da empreitada. Ao se referir a sua irmã, que trabalha como garçonete, ele disse: “Um cliente perguntou, “Você pode me falar sobre esse tal de Twitter?”. Se ela dissesse, “Meu irmão é o diretor-executivo”, ninguém acreditaria nela”.
Stone entrou na conversa. “Eles diriam: “Por que eles precisariam de um diretor-executivo no Twitter? Para dizer às pessoas, opa, seu “tweet” ultrapassou os 140 caracteres?”.”
O Twitter é a mais nova sensação pública, e Stone e William fazem parte da nova lista da revista “Time” com as cem pessoas mais influentes do mundo.
Mas o Twitter tem recebido críticas. A empresa não fatura muito, e as pessoas reclamam que o serviço é trivial e autocentrado.
Questionado sobre as críticas, Stone sorriu e disse: “Isso é como se as pessoas dissessem: “Por que carregaria comigo um telefone por aí se eu tenho um em minha cozinha?”.”
Em uma recente noite de maio, sentados com amigos no Millennium, um restaurante vegetariano de San Francisco, Stone e Williams dificilmente conseguiram se conter quando falaram a respeito da popularidade do Twitter. Em fevereiro de 2009, o site, que é gratuito, cresceu a uma taxa de 1.382%.
Desde que a apresentadora Oprah Winfrey passou a usá-lo, em 17 de abril, o tráfego no Twitter teve uma alta de 43%.
“Às vezes, pensamos viver em uma edição sofisticada de alguma série de TV”, disse Stone, “na qual alguém vai sair de repente do armário e dizer: “Surpresa, pegamos vocês”. É como se estivéssemos terminando de pintar uma espaçonave que de repente decola, sendo que estamos presos a ela somente pelas unhas.”
Williams concordou. “Todo dia, um de nós diz algo do tipo: “Esqueci de lhe contar uma coisa. A Lua nos chamou e ela quer que nós nos tornemos sua proprietária”.”
Williams pediu um aperitivo de ostra frita com farinha de milho e cobertura de gergelim para as pessoas sentadas à mesa, entre as quais se incluíam a esposa dele, Sara, e Kevin Rose, o cofundador do Digg.com

Lembranças
A conversa passou a ser sobre as invenções de infância. Stone lembrou-se da tentativa de fazer um tanque de oxigênio usando duas garrafas vazias de refrigerante e um tubo plástico, que lhe permitiria respirar debaixo da água.
Evans confessou aspirações sobrenaturais: ele queria voar e tentou fazer umas asas. De quê? Compensados de madeira. Stone voltou os olhos para ele e disse ironicamente: “Essa é a madeira leve”.
Stone e Rose “twittaram” durante todo o entardecer. “Saboreando um jantar vegetariano na companhia de @ev e @biz e @others [outros]”, escreveu Rose enquanto jantava.
Depois disso, o grupo foi para o bar Bourbon & Branch, onde se sentaram em círculo dentro de uma pequena sala do piso superior, com os rostos iluminados pelas telas de seus iPhones. “No bourbon e branch com um bando de pessoas interessantes”, “twittou” Stone.
Williams olhou para ele e disse: “Você escreve “tweets” desinteressantes”. Stone não parecia bravo. “Eu não sei o que escrever”, respondeu ele.


À propósito, acompanhe o nosso twitter: www.twitter.com/amdanon

 

 

Análise de reações corporais é útil em ambiente de trabalho

fonte: jornal Folha de S. Paulo

Linguagem não verbal pode mostrar desconforto ou satisfação do interlocutor em reuniões e entrevistas

Um mero erguer de sobrancelhas ou um enrugar dos lábios significam mais do que uma ação involuntária. Podem demonstrar se o interlocutor gosta ou não do que está ouvindo -informação útil em situações profissionais.
Mais da metade do impacto das mensagens vem dos sinais não verbais, afirma a especialista em comportamento social e comunicação Judi James no livro “Linguagem Corporal no Trabalho – Como Usar os Sinais Não-Verbais para Alavancar Sua Carreira”, da editora Best Seller (336 págs., R$ 34,90).
Parecer interessado na conversa e evitar gestos que indiquem desconforto, diz James, ajuda quem quer se projetar no trabalho, pois transmite segurança e atenção (veja quadros baseados no livro de James nesta e na próxima páginas).
Boa parte dos gestos é inconsciente -quem rói a unha de nervosismo ou tamborila os dedos porque quer terminar a conversa faz isso sem perceber.

Empatia
De forma sutil, a linguagem do corpo ajuda a perceber se o colega está distraído. E os outros também notam se o profissional está confiante ou se quer se esconder debaixo da mesa.
Esse tipo de conhecimento atrai quem precisa lidar com clientes e equipes internas, criando empatia com eles para que a conversa possa fluir.
Sérgio Ribeiro da Cruz, 32, gerente de relacionamento da Medical Systems (soluções em tecnologia da informação para a área de diagnósticos médicos), resolveu estudar técnicas para melhorar fala e expressão depois de perceber, durante uma apresentação, que havia pessoas desatentas.
Em um curso feito no Instituto Cláudio Ayabe, aprendeu, junto com técnicas para melhorar a fala, que era preciso olhar nos olhos dos espectadores, movimentar as mãos sem ser espalhafatoso e andar pelo palco, “[mas] sem parecer uma bolinha de pingue-pongue”.
Ele pratica a comunicação não verbal também com colegas e superiores. “Se falo algo que merece um sorriso como resposta, é um bom sinal.”
A empresária Marie Claire Bijoux, 32, que trabalha com produtos de inox para cozinha, foi atrás de dicas para melhorar a comunicação nos negócios e fez um curso na SBPNL (Sociedade Brasileira de Programação Neurolínguística).
Além de reparar no tom de voz, atenta no movimento dos olhos, na postura e nos gestos do interlocutor, para se ajustar. “Abrir uma negociação [com o cliente] é o principal.”
Para que o profissional obtenha melhoras na sua linguagem corporal, Judi James sugere que a pessoa realize uma autoavaliação -desde o jeito do corpo até a expressão do rosto quando não está fazendo nada.
A partir dessas mensagens, sugere a autora, ele pode trabalhar a imagem que quer passar.

CORPO QUE FALA

Gestos devem condizer com o currículo e com a entrevista

Movimentos causam desconfiança quando não são embasados em conteúdo

A linguagem corporal é importante, mas não convencerá cliente, chefe ou entrevistador se for apenas um teatro sem conteúdo. É preciso ter conhecimento do tema abordado e do público espectador.
“O assunto [da reunião] tem de ser relevante para quem está ouvindo”, afirma o gerente de relacionamento Sérgio Ribeiro da Cruz, da Medical Systems.
Sem consciência do que se fala, a encenação é percebida, e a discordância entre gestos e discurso causa desconfiança.
“Numa entrevista [para emprego] de uma ou duas horas, o candidato que estiver atuando não conseguirá manter isso por muito tempo”, ressalta Margareth Mendes, gerente de recursos humanos do Grupo Linx, especializado em soluções tecnológicas para empresas de varejo e atacado.

Cautela
É importante que os gestos sejam condizentes com personalidade e experiência. “A chave é o autoconhecimento. Isso se traduz nos gestos”, diz Solange Iara de Souza Teixeira, da consultoria em RH Dimensão.
Numa entrevista de emprego, por exemplo, ter consciência de suas limitações, assim como de seu potencial, dá ao candidato a segurança para enfrentar o desafio. Isso transparece na linguagem corporal, analisa Teixeira.
Apesar dos manuais e glossários de linguagem corporal, é preciso cautela para não levar sinais não verbais sempre ao pé da letra. Eles podem virar armadilhas se não forem analisados junto com outros fatores.
Em uma entrevista para emprego, gerentes e consultores de recursos humanos levam a postura e o gestual em conta, mas como parte de uma avaliação mais geral.
“É preciso aliá-las à parte verbal, ao currículo e à entrevista”, alerta Teixeira.
A consultora acrescenta que o correto é falar em “possíveis interpretações de sinais”. Uma atitude que, às vezes, é entendida como indicação de mentira, como encolher os braços e as pernas, na tentativa de se retrair, pode significar apenas que o candidato é tímido.
“É impossível atribuir o mesmo significado de um gesto para muitas pessoas”, acrescenta Gilberto Cury, presidente da SBPNL.
Cruzar os braços, por exemplo, em geral é traduzido como um gesto defensivo ou de discórdia. Mas, aponta Cury, durante uma palestra, essa ação pode simplesmente ser parte do esforço que a pessoa faz para ouvir com mais atenção.

Leituras múltiplas
A escritora Judi James dá a essa atitude diversos significados. Enquanto cruzar os braços em um autoabraço pode significar insegurança, uma pessoa descontraída, mas atenta, pode fazê-lo de maneira uniforme, sem pressionar o corpo.
Cruzar as pernas e ficar balançando o pé geralmente é sinal de ansiedade. “[Mas, às vezes,] a pessoa tem muita energia e não consegue ficar uma ou duas horas só falando. Pode ser um tique, que ela faz mesmo quando está assistindo à TV”, pondera Margareth Mendes, do Grupo Linx.

Economia brasileira é atrativa para quem está ávido por lucros

Fonte: jornal Financial Times
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A forte alta das ações e moeda brasileiras nos últimos dois meses deixou muitos analistas à procura de explicações convincentes.

O índice da Bolsa de Valores de São Paulo, a Bovespa, valorizou de 35 mil pontos no início de março para quase 52 mil pontos na manhã de quarta-feira.

O índice subiu mais de 75% desde sua queda em outubro passado, apesar de ainda estar longe de sua alta de mais de 73 mil pontos há um ano.

Enquanto isso, o real – que se desvalorizou frente ao dólar americano de R$ 1,62 para R$ 2,48 entre agosto e dezembro – era negociado a R$ 2,12 na manhã de quarta-feira.

Ele se recuperou tão rapidamente nesta semana que o Banco Central começou novamente a comprar os dólares americanos pela primeira vez desde setembro.

“Eu vou te dizer, é muito confuso”, disse Alvise Marino, analista de mercados emergentes da IDEAglobal, uma firma de pesquisa de Nova York.

Por um lado, as notícias econômicas que vêm do Brasil – assim como de todos os mercados emergentes e do mundo em geral – não são tão boas.

A produção industrial caiu mais de 10% em março, em comparação ao ano passado, após três quedas mensais consecutivas de cerca de 17%.

As vendas de veículos – um indicador chave, que despencou em dezembro mas se recuperou neste ano, graças a uma isenção temporária de impostos – caiu de novo em abril em 13,6% em comparação a março.

Pequenas recuperações nas vendas no varejo e na confiança dos consumidores e das empresas não são suficientes para explicar o ânimo dos investidores.

Por outro lado, entretanto, as perspectivas do Brasil certamente são favoráveis se comparadas às de outros países.

Suas reservas de moeda estrangeira de US$ 200 bilhões fornecem um amortecimento sólido contra volatilidade e afastam qualquer ameaça de calote à dívida.

De fato, o Brasil é credor líquido para o mundo e está se preparando para emprestar dinheiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Apesar do espaço de manobra do governo no lado fiscal ser limitado pela queda da receita tributária e aumento de gastos com folha de pagamento, deixando pouco dinheiro para gastos destinados a estímulo econômico, o governo conta com bastante espaço na política monetária.

O Banco Central tem reduzido sua taxa de juros referencial neste ano, mas a 10,25% ela ainda é muito alta e o banco deverá prosseguir nos cortes enquanto a inflação permanecer sob controle.

Outra explicação é que com as taxas de juros reais nos países desenvolvidos próximas de zero, os investidores que estavam guardando seu dinheiro estão novamente à procura de rendimento.

Os investidores estrangeiros retiraram mais de R$ 26 bilhões da Bolsa de Valores de São Paulo entre junho e janeiro.

De lá para cá, mais de R$ 5,7 bilhões retornaram, incluindo R$ 3,8 bilhões apenas no mês passado.

“Os Estados Unidos estão buscando políticas monetárias muito agressivas, expansionistas, e isso cria um aumento muito forte na liquidez”, disse Marino. “Investidores que estavam avessos a risco agora estão mais à vontade em retornar ao mercado. O fato é que o real brasileiro continua atraindo o apetite internacional por risco.”

STF decide pela revogação de toda a Lei de Imprensa

fonte: jornal Folha de S. Paulo

Decisão de ontem abre vácuo jurídico em relação à garantia do direito de resposta

 

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Temas de imprensa serão tratados pelos códigos Civil e Penal e pela Constituição; processos em andamento deverão ser migrados

 

Por 7 votos a 4, o STF (Supremo Tribunal Federal) revogou ontem toda a Lei de Imprensa (5.250/67), conjunto de regras criado no regime militar (1964-1985) que previa atos como a censura, a apreensão de publicações e a blindagem de autoridades da República contra o trabalho jornalístico.
Com a decisão, entretanto, abre-se um vácuo jurídico em relação ao direito de resposta concedido a quem se sentir injustamente atingido pelo noticiário, cujas regras detalhadas estavam contidas na lei.
A Constituição assegura esse direito, mas não detalha como ele se dará, decisão que caberá a cada juiz que analise os casos, isso até que o Congresso aprove lei regulamentando o tema.
Com a decisão, os casos relativos à lei revogada serão tratados pelos códigos Civil e Penal e pela Constituição de 1988, entre outros, o que já acontece em grande parte, já que a Lei de Imprensa estava repleta de regras que haviam caducado.
Segundo ministros, processos em andamento com base exclusiva na Lei de Imprensa devem migrar para a legislação, no que couber. Esclarecimentos maiores ocorrerão quando for publicada a decisão, ainda sem data prevista, e em pedidos para sanar dúvidas da decisão.
A discussão de ontem não abordou a internet, que obviamente não é tratada na Lei de Imprensa, de 1967.
Os ministros que votaram pela revogação total da lei seguiram o entendimento do relator, Carlos Ayres Britto, que já havia dado o seu voto na primeira parte do julgamento, ocorrida há um mês.
“A intenção dessa lei é garrotear a liberdade de imprensa”, afirmou a ministra Cármen Lúcia em seu voto.
Também votaram pela total revogação Eros Grau, Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski, Carlos Alberto Menezes Direito e o decano do STF, Celso de Mello, para quem “nada é mais nocivo e perigoso do que a pretensão do Estado de regular a liberdade de expressão”.
Celso de Mello foi um dos que trataram de forma mais demorada a revogação do dispositivo que detalhava as regras do direito de resposta a quem se sentir injustamente atingido pelo noticiário.
Ele afirmou que a Constituição é suficiente para garantir o direito, sem prejuízo de o Congresso legislar sobre o tema. “A regra [constitucional] está impregnada de suficiente densidade normativa, o que dispensa, ainda que não vede, a interferência do legislador.”

Pela manutenção
Último a votar, o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, foi um dos quatro ministros que defenderam a manutenção de alguns itens da lei. Ele se deteve especificamente no que trata do direito de resposta, dizendo que os “problemas serão enormes e variados” aos juízes de primeira instância que forem tratar do tema, pela falta de regras claras. Ele tentou convencer os colegas a mudar os votos, sem sucesso.
“A desigualdade de armas entre a mídia e o indivíduo é patente”, disse ele, que citou o caso da Escola Base, dos anos 90, quando inocentes foram presos por acusações improcedentes de violência contra crianças.
A ministra Ellen Gracie listou artigos que deveriam ser mantidos, como os que consideram abusos a propaganda de guerra e processos para a subversão da ordem pública. Ela defendeu ainda o artigo que proíbe a publicação e circulação de livros e jornais clandestinos ou “que atentem contra a moral e os bons costumes”.
Joaquim Barbosa manifestou preocupação com exemplos de concentração dos órgãos de comunicação nas mãos de poucas pessoas e defendeu a permanência dos artigos que estabelecem penas mais duras do que as do Código Penal para jornalistas condenados por crimes contra a honra.
Marco Aurélio Mello votou pela manutenção total da lei. Argumentou que sua revogação criará o “vácuo, a bagunça, a Babel, a insegurança jurídica”. O ministro leu editorial da Folha que defendeu a manutenção do núcleo da lei e a votação pelo Congresso de um novo estatuto para a imprensa.
O julgamento de ontem foi motivado por uma ação movida pelo PDT, por meio do deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ). “É um bom começo. Vamos esperar que o acórdão [publicação da decisão] dê ênfase entre a diferença entre o direito à personalidade e o direito à crítica ao desempenho das autoridades, livre de ameaças.”
O presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Sérgio Murillo de Andrade, criticou a decisão. “Esse resultado aumenta a dívida que o Congresso tem de votar o mais rápido possível uma nova lei.”

Bom e moderno uso da comunicação: twitter é meio de busca por emprego e de “networking”

Fonte: jornal Folha de S. Paulo deste domingo, 19 de abril…

Profissionais de comunicação usam microblogs para avisar sobre vagas

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Blogs e redes sociais -como o site de relacionamentos LinkedIn- já há algum tempo são encarados por profissionais de diversas áreas como meios para dividir experiências, fazer “networking”, buscar referências e até encontrar emprego.
Agora, a bola da vez é o Twitter, site de microblogs que ganha atenção no Brasil e entrou para o rol de instrumentos de comunicação utilizados para fins profissionais.
A ferramenta é usada principalmente entre os atuantes em comunicação e tecnologia da informação. Uma olhada nos buscadores de “tweets” (posts do Twitter) mostra avisos de oportunidades para designers, programadores e publicitários.
A eficácia da rede foi testada pelo analista de mídia social Adriano Trotta, 29. Ao saber que seria despedido, lembrou-se de ter visto um anúncio de vaga em um Twitter que costumava seguir.
Procurou o “twitteiro” (autor dos microposts), um diretor de empresa de comunicação, mandou currículo, passou por entrevistas e foi contratado.
“Nem cheguei a me cadastrar em sites de emprego. Vi [o Twitter] como um canal, uma facilidade de comunicação.”

“Networking”
O publicitário Guilherme Cury, 21, divulga vagas de que fica sabendo em seu Twitter, que conta com quase 800 seguidores. Também faz do microblog uma ferramenta de “networking”, falando sobre suas atividades profissionais e temas de interesse.
Ele diz prestar atenção na imagem que construiu. “”É preciso se preocupar com o que se fala”, diz Cury, que também já conseguiu trabalhos pelo Twitter, além de ajudar outras pessoas a conquistá-los.
O Twitter também virou opção para quem tem dificuldade em encontrar um funcionário pelos meios tradicionais.
Depois de colocar cartazes em faculdades e consultar conhecidos, sem sucesso, Gabriela Bianco, gerente de relacionamento da agência Dudinka Social Media, anunciou uma vaga para estagiário no microblog.
Como tinha muitos seguidores (hoje são cerca de 900), a oferta se espalhou. “O Twitter amplifica a mensagem. E tem o “retweet” [quando outros “twitteiros” repassam a mensagem de alguém]”, observa.
Ao receber uma indicação, Bianco verificou o Twitter da candidata. “A função envolvia escrita”, diz. Antes de contratar, seguiu o processo tradicional: a entrevista em pessoa.