O chefão sem topete. João Dória assume lugar que era de Roberto Justus na Record…

Parabéns à Rede Record pela excelente escolha!!!

Fonte: Jornal da Tarde

 

João Doria Junior assume o reality que foi de
Roberto Justus. E diz que vai ensinar o público

Foram meses de especulação até a oficialização. Na sexta-feira, a Rede Record confirmou que o empresário, jornalista e apresentador João Doria Junior, de 51 anos, será o substituto de Roberto Justus no comando do reality show O Aprendiz. “É como a troca de presidentes de uma empresa. Temos estilos de administrar diferentes. Mas o compromisso com os resultados continuam”, diz Doria. O apresentador também protagonizará um feito pouco comum na TV brasileira: além da Record, ele continuará no ar na Band, com o programa Show Business. “Tivemos uma negociação longa e necessária, porque envolvia a minha continuidade na Band. Não é um tema fácil para as emissoras de TV abertas assimilarem. Mas eu as fiz enxergarem que é perfeitamente compatível. São públicos distintos, sem posturas conflitantes.”

A conciliação veio com o fato de, na Band, o apresentador ter contrato de pessoa jurídica e, na Record, de pessoa física. O salário do novo emprego não foi revelado, mas, nos bastidores, especula-se que seja o terceiro maior da televisão, atrás apenas de Gugu Liberato e Faustão.

O empresário promete imprimir ao programa justamente o perfil conciliador que convenceu duas emissoras a mantê-lo no ar. “Minha postura vai ser mais de orientador. Não quero apenas falar para os participantes, mas também ensinar o público.” Daniela Filomena, diretora de conteúdo da Doria Associados, empresa do jornalista, confirma o perfil paciente do chefe. “O João lidera a empresa pelo exemplo e não pelo medo. Ele vê os desafios e metas como coisas construtivas para o sucesso na carreira. Tem perfil de professor, de incentivador. Não é do tipo que bate na mesa.”

O prêmio em dinheiro do vencedor não foi revelado, mas já se sabe que o participante será contratado por uma das empresas de Doria. E como o empresário vai demitir os seus aprendizes – forma que tornou Justus tão popular? “Obviamente, já demiti pessoas da minha empresa. Mas na TV é diferente. Posso dizer que será de uma forma distinta de Justus. Agora, se eu serei mais duro e intenso, só quando o programa começar para saber.”

A produção do novo Aprendiz começa em setembro e as gravações, em janeiro de 2010. O reality volta à Record entre abril e maio. O contrato de Doria com a emissora é de dois anos.

Roberto Justus chegou a dizer que pretende montar no SBT um programa nos moldes de O Aprendiz. Como empresário, Doria diz não temer a concorrência. “Em qualquer atividade, a concorrência só favorece. Feita com lealdade e nas regras, ela só soma.”

Quanto aos possíveis patrocinadores do programa, Doria é incisivo. “Eu tenho absoluta convicção de que vou preencher todas as cotas de patrocínio. Sei porque é o mundo em que trafego. Vamos bater recorde de faturamento.”

Depois de virar empresário e apresentador, Justus decidiu se lançar como cantor. No caso de Doria, a opção está fora de cogitação. “Não tenho vocação nem pretendo ser músico. A música é para o Justus. Sempre estarei lá para aplaudi-lo e assisti-lo.”

Dança das cadeiras nas redes Record e SBT é mais do que parece…

O que está em jogo ao trazer Roberto Justus para o SBT, sob minha opinião, está, claramente, a questão da sucessão na emissora. Há muito tempo, quando Gugu tinha sido contratado pela Rede Globo, Sílvio Santos pegou o avião e foi diretamente à TV carioca, esperou pacientemente ser atendido e trouxe o apresentador de volta, a quem chamou de “continuidade do SBT”.

Contudo, o tempo passou e Gugu, em sua busca frenética por audiência, corrompeu as regras do bom jornalismo e inventou uma entrevista totalmente absurda, falsa, mentirosa. Forjou entrevistar membros de uma facção criminosa que ameaçava sequestrar formadores de opinião, apresentadores de TV, entre outros vips. Era tudo lorota! Foi desmascarado na hora. Teve chance de se recuperar, mas aí foi a sua caída derradeira. O “sofá da Hebe” seria a salvação, mas ele não soube aproveitar…

No dia seguinte, em cadeia nacional, pelo prestigiado programa de Hebe Camargo, o sofá da apresentadora era todo seu para dizer, exatamente, o que aconteceu. Ele vivia uma série de CRISE DE IMAGEM e, numa hora destas, SOMENTE A VERDADE deve ser dita, mesmo que for preciso “cortar na própria carne”. Mas, em vez de assumir para si a molecagem e a falta de responsabilidade por aquele gave ato (a vida de pessoas estava envolvida, entre outros agravantes!), disse que estava gripado, que chegara mais tarde à emissora e que a culpa toda era de sua produção. Balela e o Brasil não engoliu. Em vez de chamar a si a verdadeira culpa, conseguiu piorar, e muito, a sua imagem. Nunca mais se recuperou. Perdeu credibilidade, audiência, anunciantes, verba… e nunca mais ganhou do Faustão em audiência. Mudou de horário e foi para a mesma hora do Fantástico (Rede Globo), já que seu público era outro e não precisaria mais passar pela humilhação da derrota semanal a cada domingo. Não obstante, mais que isso, o “patrão” Silvio Santos perdera a confiança.

E eis que surge um empresário/publicitário/apresentador/cantor (nos três primeiros itens, sob meu prisma, excelente; mas como cantor, deixa, e muito, a desejar) sério, competente, com vontade e com ética (e, como Senor Abravanel – Silvio Santos -, de origem judaica). Nada mais certo do que depositar a ele a confiança de levar à frente o SBT – são muitas as afinidades. Este ponto é um dos mais importantes na “dança das cadeiras” ocorrida nesta semana entre as duas emissoras.

Leia, abaixo, notícia completa a respeito publicada no jornal Folha de S. Paulo deste domingo, 28 de julho.

Quem quer ser um milionário?

Leonardo Wen/Folha Imagem
justus
 

O apresentador Roberto Justus, na agência de publicidade
em que trabalha, em São Paulo

Depois do sucesso em “O Aprendiz”, Roberto Justus deixa a Record e vai para o SBT; transferência marca agitação das TVs em busca de nomes estrelados

DANIEL CASTRO
COLUNISTA DA FOLHA

Fazia tempo que a TV brasileira não passava por dias tão agitados como nas últimas três semanas. A proposta da Record para tirar Gugu Liberato do SBT provocou uma reação em cadeia. Em resposta ao ataque, Silvio Santos passou a assediar profissionais da concorrente.
A disputa teve capítulos decisivos na semana passada. Na quinta, a Record anunciou a aquisição do passe de Gugu Liberato, que receberá R$ 288 milhões apenas em salários nos oito anos de contrato. Na véspera, o SBT já havia finalizado as negociações com Eliana.
Mas a troca de emissora mais surpreendente foi a de Roberto Justus, 54. Alçado à condição de apresentador pela Record, em 2004, o presidente e sócio do Grupo Newcomm (que comanda a maior agência de publicidade do país, a Young & Rubicam) é o mais novo empregado (ele prefere ser chamado de sócio) de Silvio Santos.
Especula-se que Justus ganhará cerca de R$ 1 milhão por mês. “Estão chutando. A única coisa que revelo é que fiz com ele [Silvio Santos] uma sociedade nos resultados do meu programa”, diz o ex-apresentador do reality show “O Aprendiz”.
As negociações entre Justus e SBT duraram só três dias. Começaram na quinta, 18, e foram fechadas na sexta, 19. O contrato de quatro anos, parcialmente redigido pelo próprio publicitário, foi assinado no sábado, 20. Consultada, a Record não cobriu a proposta do SBT.
“O Silvio me ligou e fez uma pergunta: “Você tem contrato com a Record?” Eu falei: “Não'”, conta. Justus revela uma ponta de mágoa da Record. “A Record cometeu um erro, na minha opinião. Como é que você tem um apresentador que está com você há seis anos, produzindo o programa de maior rentabilidade da emissora, com as audiências de dois dígitos, com o público AB que trouxe para a emissora, e você não amarra esse cara a longo prazo, não faz um contrato com ele?”, diz, referindo-se a si mesmo.
A Record fazia um contrato para cada edição de “O Aprendiz”. O último vence na terça.
“A Globo amarra atores e atrizes sem colocar no ar para não dar chance de perdê-los. É natural isso, construir relações de longo prazo com pessoas que te dão retorno. Não é possível! Eles não amarraram!”, diz.
Além disso, o ego de Justus foi seduzido por Silvio Santos. “Quando o Silvio me chamou na casa dele, ele falou: “Você é uma das poucas pessoas que conheci que tem um perfil parecido com o meu. Você tem talento de apresentador e é um grande empresário'”, afirma.
Justus não tem dúvidas de que Silvio fala a verdade. “Eu comecei bem, mas terminei muito melhor”, diz, sobre sua atuação em “O Aprendiz”.
Conta que, caso continuasse na Record, faria apenas mais uma edição do programa. Estava na hora de descolar sua imagem da do reality, avalia.

Dois programas
A partir do final de agosto ou início de setembro, Justus ocupará a faixa das 23h à 0h30 das quartas do SBT. O contrato estipula que o horário não poderá mudar sem seu consentimento.
A ideia do apresentador é fazer dois programas por ano, um em cada semestre. Diz que os formatos ainda não estão definidos, que há uma equipe trabalhando nisso e que só tem dormido quatro horas por noite, de tanto pensar no assunto. Mas solta algumas pistas.
“Não precisa ser um quiz show, mas um game, uma coisa que tenha dinâmica, que dê prêmios grandes, que as pessoas falem “Nossa, o Justus tornou a pessoa milionária!”. Isso combina comigo”, abre.
Justus nega que sua ida para o SBT seja um primeiro passo para, mais para a frente, comprar parte da emissora. “Nem sonhando eu tenho recursos para comprar o SBT”. Diz que, por enquanto, “está mais interessado na carreira de apresentador”, mas não nega que pode ir além. “Que eu tenho interesse de crescer nessa televisão, de fazer outras coisas, eu tenho.”

Sem demissão
Filho de imigrantes húngaros, Justus nasceu e cresceu em São Paulo. Seu pai era empreiteiro. Ele nunca foi empregado. Em 1981, fundou sua primeira agência de publicidade.
Além de apresentador, vem investindo na carreira de cantor. Há um ano, lançou um CD de covers, que vendeu 16 mil cópias. Empolgado, mostra ao repórter DVD em que, ao lado de Agnaldo Rayol, imita Frank Sinatra. “Nunca imaginei que conseguiria isso”, suspira.

Ainda sobre o Twitter… que, agora, conquista a TV também!

Fonte: jornal Folha de S. Paulo

Fenômeno da internet, Twitter conquista a TV

Apresentadores brasileiros usam o microblog para se aproximar da audiência 

Oprah Winfrey ajudou a alavancar popularidade do site que agora é usado pelas TVs para expandir conteúdo e dialogar com o público 

O apresentador da MTV Marcos Mion queria poder ter mandado um recado para Sílvio Santos falar na TV, ao vivo, nos anos 1980. Não poderia, já que naquela época não havia twitter, sistema de troca de mensagens supercurtas que cresceu dez vezes em um ano.
E quem imagina Silvio e seu microfone na lapela usando o microblog? A “missão” ficou a cargo de sua filha Patrícia Abravanel que usa o Twitter para cutucar a concorrência ou falar sobre a novela “Véu de Noiva”.
A lista de personalidades da TV brasileira que aderiu ao Twitter é variada. Também estão lá a superpop Luciana Gimenez e o tradicional “Roda Viva”. Assim como o “Descarga”, de Mion, que exibe mensagens enviadas pelo site.
“Sempre me mandam coisas engraçadas”, diz Mion. Ele considera o serviço uma forma de fidelizar a audiência. “Imagina, quando eu era moleque, ouvir o Sílvio falar: “olha o que o Mion mandou”. Agora eles [público] podem”.
“É a TV multiplataforma. Eu acompanhei a final da NBA [há duas semanas] pela televisão e vi os comentários do Shaquille O’Neal pelo Twitter. Você tem ideia do que é isso?”, conta.
O astro do basquete é uma das pessoas mais seguidas no serviço. Entre os brasileiros, as contas pessoais dos apresentadores do “CQC”, o perfil do “Fantástico”, o técnico do Corinthians Mano Menezes e Marcos Mion estão entre os mais populares.
Luciano Huck entrou há 20 dias e já está nesse rol. Ele, que nunca teve “MySpace, Orkut, nem nada” acha o Twitter eficiente, mas minimiza o retorno em audiência proporcionado pelo microblog -e nem pretende misturar as coisas.
“O legal é falar como pessoa física, dar links de músicas, dicas”, diz. No entanto, ele já falou sobre os bastidores de seu programa no site.

Século 21
Foi uma megacelebridade da televisão norte-americana a responsável por fazer o Twitter deixar de ser um site adotado por usuários intensivos de internet e se tornar conhecido por pessoas comuns. Em abril, a apresentadora Oprah Winfrey disse “se sentir no século 21” por adotar o site.
No dia seguinte, 37% de todos os acessos era de novos visitantes, de acordo com a empresa de pesquisa Hitwise.
Antes da entrada de Oprah no Twitter, o “Roda Viva” já experimentava o recurso. “Usar essas ferramentas interativas no “Roda” é uma forma de dialogar com uma audiência muito importante para a “Cultura”, os jovens”, diz Ricardo Mucci, coordenador de novas mídias da emissora.
O programa de entrevistas já convidou twitteiros -como são chamadas as pessoas que mandam mensagens pelo serviço- para participar da gravação do programa. “Eles falam sobre o clima da gravação, sobre as reações do entrevistado.”
“É uma forma de atrair e tornar fiel uma audiência nova para o programa. Eles também conseguem assistir ao vivo pela internet e até mandar perguntas pela página do “Roda”, diz.

ANATEL define cobrança de ponto adicional em TV por assinatura

Agência aprovou alterações no Regulamento de Proteção e Defesa dos Direitos dos Assinantes dos Serviços de TV por Assinatura

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Está oficializado: as operadoras de TV por assinatura no Brasil não podem mais cobrar mensalidade por ponto-extra, somente para a instalação e solicitação de reparos na rede interna. A decisão teve o objetivo de esclarecer aspectos relacionados ao ponto adicional, garantir proteção aos direitos dos assinantes e preservar a integridade e a qualidade das redes de TV por assinatura.

Tal controvérsia arrastava-se desde junho de 2008, quando as operadoras entraram com ação cautelar contra a ANATEL garantindo a continuidade da cobrança até que a questão fosse resolvida de forma definitiva. “Tamanha polêmica fez com que o próprio órgão submetesse o texto a novas consultas públicas sobre o assunto e prorrogasse os prazos – por ela mesma definidos – para análise e definição acerca da questão”, revela o advogado Alexandre Millan.

Um grupo de engenheiros da agência foi nomeado para realizar um levantamento sobre os custos dos pontos adicionais para as empresas do setor, já que era esse o principal argumento alegado para que os pontos continuassem sendo cobrados. A decisão final foi tomada após a análise destes profissionais.

Dr. Millan afirma que, independente da deliberação final da ANATEL, só há uma maneira de as disposições contidas no regulamento serem cabalmente cumpridas. “É necessária uma política eficaz de fiscalização, coibição e repressão de abusos por parte da própria Agência, inclusive por meio da imposição de multas e demais penalidades, pois, caso contrário, as operadoras continuarão utilizando subterfúgios para manterem a cobrança, penalizando o consumidor”, finaliza o advogado.

A proeza na comunicação infantil e com todos os públicos

Reproduzimos, com grande satisfação, matéria publicada na edição desta semana da Vejinha sobre a nossa querida amiga Tatiana Belinky, uma das precursoras da TV brasileira e uma das autoras mais lidas e premiadas da literatura infantil. Tivemos o privilégio e a felicidade de estar na festa de seus 90 anos, realizada pelo filho, Ricardo Gouveia, e pela nora, Fathia de Nordon, na noite de quarta-feira passada, 18 de março de 2009. Abaixo, a íntegra da matéria.

Menina nonagenária

Autora de dezenas de livros infantis, Tatiana Belinky completa 90 anos com a imaginação a mil e trabalhos em catorze editoras

 

Por Helena Galante

| 25.03.2009

 

Fernando Moraes
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Com a boneca Emília: a escritora adaptou para a televisão a obra de Monteiro Lobato

 

A bordo de um transatlântico, em 1929, a viagem da garotinha russa Tatiana Belinky para o Brasil pareceu uma brincadeira. Entusiasmada com a possibilidade de comer muitas bananas, a menina nascida na cidade de Petrogrado (hoje São Petersburgo) e criada em Riga, na Letônia, acompanhava sua família em busca de melhores oportunidades de emprego. Hoje, com 90 anos de idade completados na última quarta, Tatiana conta o passado como se fosse o enredo de um de seus mais de 120 livros e traduções. Autora de obras do universo infantil como Cinco Trovinhas para Duas Mãozinhas, Mentiras… e Mentiras e Limeriques do Bípede Apaixonado, ela adora anedotas – principalmente aquelas nas quais é a personagem principal.

Numa casa ampla e escura no Pa–caembu, a senhora de movimentos vagarosos e fala agitada passa a maior parte do dia em uma poltrona, ao lado da gata preta Nina. De lá, aponta para uma boneca Emília e recorda um de seus orgulhos. Na década de 50, adaptou para a televisão a obra de Monteiro Lobato. Foi a primeira versão do programa Sítio do Picapau Amarelo. “Fazia vários roteiros por dia, uma loucura”, conta. De tanto martelar na máquina de escrever, foi vítima de uma artrite nas mãos. Por isso, há anos escreve seus textos em cadernos de capa mole, que envia às editoras. “Uso a mão esquerda e a direita”, acrescenta. Além da habilidade de ambidestra, exibe um currículo de poliglota. Fala russo, alemão, letão, inglês e um português irretocável. Tatiana Belinky trabalha com catorze editoras e não se assusta ao ver mudanças – nem as ortográficas. “Podem fazer essa reforma bobo-ortográfica”, diverte-se. “Os tais tremas nunca me fizeram tremer.”

Imersa no mundo dos pequenos, Tatiana conquistou também os adultos. “Os livros dela são cúmplices”, afirma o cartunista e escritor Ziraldo. Foi ele quem lhe entregou o Prêmio Jabuti de melhor produção editorial infantil e/ou juvenil em 1991, por Di-Versos Russos. “Para os leitores, fica a impressão de que ela é uma criança.” Entre os fãs mirins, os mais espevitados ocupam lugar de destaque no cancioneiro de Tatiana. É o caso de um menino que, desconsolado por ter esquecido seu livro de autógrafos, ofereceu um papelzinho e disse: “Assina aqui, Tati, que eu copio depois”. Ela prontamente atendeu ao seu pedido, sem esboçar uma risada. “Não devemos rir das crianças”, explica. “Eu rio com elas.” Nem sempre, porém, as aproximações do público são delicadas. Quando perguntada por um garoto negro se era racista, não titubeou. “Você vê orelhas de burro na minha cabeça? Só é racista quem é burro”, respondeu.

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 Episódios marcantes: em 1991, ao receber de Ziraldo o Prêmio Jabuti; aos 18 anos, na formatura do curso de secretariado do Mackenzie; e com o marido e parceiro de trabalho, Júlio Gouveia

A capacidade de fugir de saias-justas vem da longa experiência com o público. Seu primeiro texto, uma adaptação de Peter Pan, do escocês J.M. Barrie, foi apresentado no Teatro Municipal em 1948. No elenco estavam Gilberta Autran (grande amiga de Tatiana e irmã do ator Paulo Autran, à época chamado apenas de Paulinho) e os críticos Clóvis Garcia e Alberto Guzik, entre outros. A direção ficou a cargo de Júlio Gouveia, seu marido, morto em 1989 aos 75 anos de idade. Ela gosta de contar como o conheceu – embaixo de uma mesa, num casamento, devorando uma travessa de ovos recheados. “O Júlio era bonitão”, lembra, com a mão sobre a aliança de casamento, que nunca tirou. “E um ótimo profissional.” Bisavó ativa, alfabetizou as crianças de sua família sem lições, apenas com joguinhos. Para incentivar o gosto pela leitura, não manda ninguém ler. “Livro não é castigo para mandar”, diz. “Se a criança quiser, eu deixo, é um prazer.” Um recente trabalho, a peça Tamanho Não É Documento, ilustrada por Flávio Fargas, é dedicado às crianças, “sempre importantes e maiores por dentro do que por fora”. Da mesma forma, a energia e a criatividade dessa escritora extrapolam seu corpo já frágil de 1,57 metro de altura. “A carcaça não é mais a mesma”, brinca. “Mas cuido de me manter ocupada, para não deixar o miolo enferrujar.”
 
 

 

Fonte: revista Veja São Paulo desta semana

Brasileiros preferem revistas e livros a jornais, diz pesquisa

Realizada pelo Ibope a pedido do Instituto Pró-Livro, a pesquisa “Retrato da Leitura no Brasil” – divulgada em 2008 – procurou identificar quem são os consumidores de livros e os hábitos de leitura no país. O estudo concluiu, por exemplo, que as mulheres lêem mais que os homens, e que a leitura de jornais perde para a de revistas e livros.

Como amostra, foram feitas 5.012 entrevistas domiciliares. A pesquisa considerou como “leitor” aquele que declarou ter lido pelo menos um livros nos últimos três meses e “não leitor” quem declarou não ter feito isso, ainda que tenha lido em outros períodos do ano.

A maior parte dos leitores está nas Regiões Sul (75%) e Sudeste (71%). A região com menos leitores é do Norte (55%). Constatou-se que para 26% dos brasileiros a leitura significa “conhecimento”. 8% acham que ler ajuda no “crescimento profissional” e 4% a consideram um “prazer” – resposta mais citadas por crianças de até 10 anos.

Os jornais estão em 3º lugar na preferência dos leitores (48%). As revistas vêm à frente, com 52% da preferência, seguidas dos livros, com 50%. Textos na internet estão em 7º lugar, com 20%. O tempo dedicado por semana à leitura do jornal é, em média, de 1h21. De revista, esse tempo chega a 1h16; com internet, são gastas 2h24.

No tempo livre, ler aparece como hobby para 35% dos entrevistados, em 5º lugar. Estão à frente: assistir à televisão (77%), ouvir música (53%), descansar (50%) e ouvir rádio (39%). A preferência cresce com a renda e a escolaridade: 79% dos que têm formação superior vêem a leitura como passatempo. O mesmo acontece com quem tem renda acima de 10 salários mínimos: 78% dos entrevistados têm esse hábito.

55% dos leitores que afirmam ler freqüentemente (55% da população analisada) são mulheres. Além disso, quem mais influenciou na leitura foram as mães (49%), seguidas das professoras (33%).

As mulheres lêem mais que os homens, quase todos os gêneros – exceto  História, Política e Ciências Sociais. O preferido delas é a Bíblia, com 49%.

Apesar de 51% dos leitores não saberem dizer qual é seu escritor favorito, entre os que opinaram ganhou Monteiro Lobato, seguido por Paulo Coelho, Jorge Amado e Machado de Assis. A média é de 25 livros por residência e 19% deles estão nas mãos de 1% da população. Os maiores compradores de livros no Brasil são da classe C (47%), seguidos da classe B (24%). Além disso, o número de livros comprado por cada habitante é de 1,2 por ano e, o de lidos, 4,7.

Fonte: portal da revista IMPRENSA

Internet supera TV na Espanha

A Internet superou a televisão como o meio de comunicação mais consumido na Espanha em 2008, afirma levantamento divulgado nesta sexta-feira pela empresa de pesquisa Mediascope.

O estudo afirma que na Europa 60 por cento da população se conectam à Internet por uma média de 12 horas por semana e que na Espanha o tempo de acesso aumentou em 16% desde 2007. Segundo a pesquisa, o internauta espanhol fica conectado por uma média semanal de 12,1 horas, enquanto o tempo em que passa diante da televisão é de 11,7 horas.

O tempo em que a população espanhola fica na frente de um computador aumentou em 20% desde 2004 e a quantidade de internautas que se conecta diariamente à Web, cerca de 56%, cresceu 5% desde o ano passado.

A atividade que os espanhóis mais fazem na Internet é envio de emails, seguida por buscas e redes sociais. Enquanto isso, na Europa, as buscas ocupam o primeiro lugar, seguidas por email e sites de conteúdo gerado pelos próprios internautas.

O levantamento, porém, afirma que existe um consumo simultâneo de mídias, já que cerca de 23% dos internautas vê televisão enquanto está navegando pela Web e cerca de 21% faz isso enquanto ouve rádio. Em relação aos dispositivos, cerca de 32% dos espanhóis utiliza o celular para se comunicar via mensagens curtas (SMS), email ou redes sociais, sem necessariamente recorrer a uma conversa.

Fonte: Reuters